Aumento da Selic: Brasil só perde para um país em juros reais; confira qual é

Na quarta-feira (16), o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu elevar a taxa Selic em 1 ponto percentual. Com isso, o indicador chega a 11,75% ao ano, o maior patamar desde 2017.

A Selic é usada como referência para todas as taxas de juros na economia. Quando ela sobe, fica mais caro conseguir crédito, o que, por um lado, diminui o consumo das famílias e a inflação. Por outro lado, a maior dificuldade em conseguir crédito prejudica os investimentos e o crescimento da economia.

A decisão do Banco Central é uma tentativa de conter a inflação, que continua a preocupar os brasileiros, depois de terminar 2021 acima de 10%. No momento, os preços da maioria dos produtos estão sendo impactados pela alta de preços no exterior, que é consequência, principalmente, da guerra na Ucrânia.

A Selic alta também piora as expectativas de crescimento do PIB em 2022, sendo que o prognóstico atual já não é muito animador. O último boletim Focus do Banco Central, que reúne a opinião de agentes do mercado financeiro, projeta um crescimento de apenas 0,49% do Produto Interno Bruto este ano.

Só perde para Rússia

Em termos reais, ou seja, deduzindo a inflação, a taxa básica de juros do Brasil se torna agora a segunda maior do mundo, entre 40 países analisados pela gestora de investimentos Infinity Asset. Ficamos atrás apenas da Rússia, que se encontra no meio de uma guerra com a vizinha Ucrânia e sob fortes sanções do Ocidente.

O banco central russo elevou a taxa básica de juros do país para 20% pouco depois do início do conflito, numa tentativa de conter a desvalorização do rublo. A inflação oficial da Rússia fechou fevereiro em 9,15%, considerando-se os últimos 12 meses. Já a brasileira está atualmente em 10,54%, depois de alta de 1,01% em fevereiro (maior valor para o mês desde 2015).

Em termos nominais, ou seja, considerando-se apenas o valor da taxa de juros, o Brasil ocupa o quarto lugar no mesmo ranking. Além da Rússia (2º lugar), estamos atrás da Argentina (1º lugar), com taxa básica de 42,5%, e da Turquia (3º lugar), com taxa de 14%.

Mas não são apenas os países em desenvolvimento que estão aumentando as suas taxas de juros. Também ontem, o FED, banco central dos Estados Unidos, anunciou aumento de 0,25% no indicador. É a primeira elevação desde 2018 e uma resposta à crescente inflação no país. Com a taxa mais alta, a tendência é que ocorra um movimento de investidores em direção ao tesouro americano, causando desvalorização de moedas em vários países, incluindo o Brasil.

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Amaury Nogueira
Amaury da Silva Nogueira é bacharelando em Letras/Edição pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Apaixonado pelo universo da escrita, atua há dois anos como redator e realiza pesquisas sobre história da edição no Brasil. Além disso, atualmente pesquisa também sobre direitos e benefícios sociais para agregar conhecimento na redação do portal de notícias FDR.