Vale quer comprar condomínio próximo de barragens; como funciona a negociação?

A Vale é uma das maiores empresas de mineração multinacional brasileira e de logística. Também é proprietária de duas barragens que correm alto risco de rompimento em Nova Lima, e agora iniciou trâmites na tentativa de comprar em um condomínio de luxo próximo às barragens. 

O condomínio está situado na região metropolitana. Porém, é preciso considerar que um estudo recente comprovou a interferência na área devido às atividades de mineração nas redondezas. De acordo com um ex-morador local que iniciou negociações com a empresa, 12 proprietários decidiram não fechar o negócio com a Vale

A investida mal sucedida impediu a transação de uma área inteira, cujo custo é estimado em R$ 100 milhões. Em nota, a Vale informou que realmente fez a proposta de compra do condomínio ainda em 2020. A proposta da mineradora também incluía uma indenização das famílias além da simples compra dos imóveis, mas a compra ainda não foi concluída. 

O condomínio que a Vale tenta comprar trata-se do Jardim Monte Verde, próximo às minas Mar Azul e Capitão do Mato. No entanto, ambas devem passar por intervenções, pois o Governo de Minas Gerais as notificou sobre ocorrências durante o período chuvoso. O tratamento é essencial para evitar prejuízos ao funcionamento. 

A Vale chegou a contratar a pesquisa para apurar as condições do ambiente, foi quando constatou que a “geologia do terreno é mais suscetível a deformações do solo”. O principal causador é a mineração realizada nas redondezas. 

É importante mencionar que este é considerado um condomínio de luxo, composto por 51 lotes, sendo que a média de cada um deles é de 2 mil metros quadrados. Segundo informações da imobiliária, que já fez outras negociações no local, a área possui vários benefícios como uma portaria 24 horas, salão de festas, quadras, piscina e salão de jogos. Hoje, o local está abandonado. 

Apesar da Vale declarar ter boas intenções com a compra do condomínio, a notícia gerou indignação em várias pessoas afastadas pela companhia que, há anos, lutam por uma indenização. Entre os que se sentem prejudicados estão os moradores do distrito de São Sebastião das Águas Claras, conhecido por Macacos.

Esses moradores foram forçados a deixar as casas onde moravam devido ao risco de rompimento da mina Mar Azul. Em fevereiro de 2019, várias famílias precisaram sair às pressas de casa logo após um alerta sonoro indicando sobre a possibilidade de um vazamento. 

No que compete às indenizações, a Vale afirmar estar “comprometida a indenizar todos os impactados e que os processos de acordo extrajudiciais seguem avançando. A todas as pessoas indenizadas, a empresa disponibiliza o Programa de Assistência Integral ao Atingido, que oferece apoio psicossocial, educação financeira, orientações para a compra de imóveis e para a retomada produtiva”. 

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Laura Alvarenga
Laura Alvarenga é graduada em Jornalismo pelo Centro Universitário do Triângulo em Uberlândia - MG. Iniciou a carreira na área de assessoria de comunicação, passou alguns anos trabalhando em pequenos jornais impressos locais e agora se empenha na carreira do jornalismo online através do portal FDR, onde pesquisa e produz conteúdo sobre economia, direitos sociais e finanças.