Uma em cada cinco famílias tem dívidas atrasadas em SP; o que isso pode significar?

Um levantamento recente feito pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de São Paulo (Fecomercio), apontou a alta da inadimplência na capital paulista nos últimos dois anos. No mês de fevereiro, uma em cada cinco famíliass tem dívidas atrasadas, o correspondente a 22% das famílias paulistas. 

No total, cerca de 972 mil famílias não conseguiram pagar as dívidas na data prevista para vencimento. Em outras palavras, uma em cada cinco famílias possuem pendências financeiras. De acordo com a Fecomercio, 8% das famílias endividadas alegam não ter condições para honrar os compromissos em atraso. 

No entendimento do professor da Fundação Getúlio Vargas, Fabio Gallo, as famílias com dívidas devem se atentar ao tempo de duração da inadimplência. Isso porque, os juros atribuídos às dívidas tiveram uma alta expressiva, e a tendência é aumentar ainda mais com base na inflação que já ultrapassou a casa dos 10%.

“Isso agravou, né, que as pessoas têm que pagar mais por comida, por remédio, por coisas básicas da sua casa, por energia elétrica, por exemplo, por gás de cozinha. Isso tudo complicou muito para as pessoas que estavam com prestações no meio do caminho”, disse o professor. 

Um outro estudo também recente, este feito pelo Serasa, mostrou que o número de cidadãos inadimplentes no Brasil atingiu a margem de 64,82 milhões. O quantitativo é bastante semelhante ao que foi registrado durante o pico da pandemia da Covid-19 em abril de 2020, 65,91 milhões de pessoas com dívidas

Feito o cálculo, foi possível observar que o valor total das dívidas na atualidade chega a R$ 260,7 bilhões, cerca de R$ 2 bilhões a mais do que na época. Neste sentido, a Fecomercio-SP começou na última segunda-feira, 7, um mutirão de renegociação de dívidas de modo totalmente online e com descontos de até 99%. 

Conforme mencionado, pouco mais de 8% das famílias certamente não conseguiram quitar as dívidas por hora. No total, 48,2% das famílias inadimplentes possuem contas em atraso há mais de 90 dias. Considerando apenas o período entre outubro de 2021 e fevereiro de 2022, o tempo médio de atraso subiu de 62,8 dias para 66,1 dias. 

A Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), também mostrou que a inadimplência de famílias cuja renda é inferior a dez salários mínimos teve um aumento para 26,4% em fevereiro. No que compete às famílias com renda superior a dez salários mínimos, a taxa passou de 9,3% para 10,2%.

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Laura Alvarenga
Laura Alvarenga é graduada em Jornalismo pelo Centro Universitário do Triângulo em Uberlândia - MG. Iniciou a carreira na área de assessoria de comunicação, passou alguns anos trabalhando em pequenos jornais impressos locais e agora se empenha na carreira do jornalismo online através do portal FDR, onde pesquisa e produz conteúdo sobre economia, direitos sociais e finanças.