Cenário delicado: Brasil completará pelo menos 10 anos com desemprego de 2 dígitos

Não é de hoje que a economia brasileira vem tendo um desempenho ruim. E as projeções para os próximos anos também não são animadoras. Dados do Sistema de Expectativas de Mercado do Banco Central indicam taxas de desemprego acima de 10% pelo menos até 2025.

Com isso, completaríamos uma década com esse índice em dois dígitos. Em 2016, o IBGE registrou pela primeira vez (a série histórica começa em 2012) uma taxa de desemprego acima de 10%. De lá pra cá, esse desempenho se manteve, com uma leve melhora até 2019 e uma piora considerável em 2020, primeiro ano da pandemia.

Mas a recuperação em 2021 foi bem significativa. Terminamos o ano passado com uma taxa de desemprego de 11,6%, o que reflete o avanço da vacinação e a eficácia das políticas de manutenção do emprego, como o BEm (Benefício Emergencial).

PIB cai, desemprego sobe

A permanência da taxa de desemprego acima de 10% está diretamente ligada ao desempenho fraco do PIB projetado para os próximos anos. Em 2022, segundo analistas do mercado financeiro consultados pelo Banco Central, o Produto Interno Bruto deve variar apenas 0,5%, muito pouco para melhorar as condições de vida da população.

Com isso, a taxa de desemprego deve se manter estável este ano. A mesma correlação se verifica quando analisamos os anos anteriores. Em 2015, primeiro ano da série de crises em que o Brasil se encontra, o PIB caiu -3,5 e a taxa de desemprego explodiu, de 4,8% para 8,5%.

O resultado extremamente ruim se manteve no ano seguinte. Em 2016, o PIB despencou -3,3% e a taxa de desemprego registrou dois dígitos pela primeira vez, alcançando 11,5%. Em 2017, mesmo com uma leve melhora no PIB (+1,3%), o desemprego se manteve em um patamar alto (12,7%).

Ajustes e reformas

Os economistas concordam em que as medidas tentadas pelos últimos governos para reverter a crise e combater o desemprego têm sido insuficientes, mas divergem quanto ao que precisa ser feito.

Medidas para conter o gasto público e diminuir a dívida do Estado vem sendo tentadas desde 2015, quando a política econômica do governo Dilma foi radicalmente transformada. Naquele ano, por exemplo, os investimentos públicos despencaram 29%.

Alguns economistas defendem que uma elevação do investimento público é necessária para que voltemos a taxas de desemprego “mais positivas” (como a registrada em 2013, de 5,4%). Outros, no entanto, acreditam que mais ajustes fiscais seriam necessários.

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Amaury Nogueira
Amaury da Silva Nogueira é bacharelando em Letras/Edição pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Apaixonado pelo universo da escrita, atua há dois anos como redator e realiza pesquisas sobre história da edição no Brasil. Além disso, atualmente pesquisa também sobre direitos e benefícios sociais para agregar conhecimento na redação do portal de notícias FDR.