Anvisa rejeita exportação da vacina Sputnik V; saiba o motivo da decisão

Após longo debate e análises de relatórios, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) rejeitou o pedido sobre a importação da vacina Sputnik V. O imunizante é fabricado na Rússia e atua contra a Covid-19.

Anvisa rejeita exportação da vacina Sputnik V; saiba o porquê da decisão
Anvisa rejeita exportação da vacina Sputnik V; saiba o porquê da decisão. (Imagem: Juan Mabromata/AFF)

O parecer foi dado após decisão unânime entre 14 Estados brasileiros que se reuniram para solicitar a importação do imunizante, a caráter emergencial de cerca de 30 milhões de doses. Porém, após minuciosa análise feita por três gerências técnicas distintas da Anvisa, determinou-se por bem, a negativa do pedido. 

Em justificativa, a Anvisa alegou não ter recebido nenhum relatório técnico contendo detalhes capazes de comprovar que a vacina Sputnik V atende aos padrões de qualidade.

Além do mais, o órgão não conseguiu identificar nenhum relatório junto a autoridades competentes de países em que a vacina é aplicada.

Outros pontos também devem ser considerados, como o fato de que boa parte dos países que autorizaram a aplicação da vacina Sputnik V não têm o costume de avaliar os medicamentos. Bem como, o atraso na vacinação de 23 países que efetuaram a compra do imunizante. 

Entre as várias falhas de segurança atreladas ao imunizante, a mais grave consiste no vírus escolhido para hospedar o material genético da Covid-19 na vacina.

Isso porque, o mesmo, denominado de adenovírus, não deveria ser replicado, tendo em vista que ele tem condições de se reproduzir e gerar novas doenças. 

Embora não tenha sido possível visitar todos os postos de fabricação da vacina Sputnik V na Rússia, os técnicos da Anvisa passaram por três dos sete locais de produção, sendo o suficiente para auxiliar na decisão tomada.

Vale ressaltar que em certo momento o Fundo Russo tentou cancelar a inspeção presencial e impedir o acesso ao Instituto Gamaleya, responsável pelo controle de qualidade. 

É importante ressaltar que a Anvisa também não conseguiu identificar os fabricantes da matéria-prima da vacina Sputnik V. Diante de todos esses fatos, o gerente-geral de medicamentos e produtos biológicos, Gustavo Mendes, reforçou que todos os resultados de estudos clínicos referentes à eficácia e segurança do imunizante não asseguram o parecer dado por uma autoridade sanitária. 

“Uma avaliação sanitária é diferente da que é feita por uma revista científica. Uma revista científica não tem por objetivo recomendar ou não o uso de uma vacina, nem tem o compromisso de verificar boas práticas clínicas ou tem como pressuposto o acesso a todos os dados brutos e laudos”, disse Gustavo Mendes.

Até o momento a vacina Sputnik V foi utilizada emergencial ou definitivamente em 62 países, conforme dados apresentados pelo Instituto Gamaleya. Deste total, 51 países foram consultados, embora apenas 14 tenham informado o uso real da vacina russa. 

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Laura Alvarenga
Laura Alvarenga é graduada em Jornalismo pelo Centro Universitário do Triângulo em Uberlândia - MG. Iniciou a carreira na área de assessoria de comunicação, passou alguns anos trabalhando em pequenos jornais impressos locais e agora se empenha na carreira do jornalismo online através do portal FDR.
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