Petrobras chega ao quarto presidente diferente no governo Bolsonaro em dois anos; entenda o motivo de tantas mudanças

A Petrobras não sai das manchetes e da atenção do público. Após o anúncio de mais uma alta no preço dos combustíveis (a quarta para o diesel e a terceira para a gasolina em 2022), José Mauro Coelho renunciou ao cargo de presidente nesta segunda-feira (20), abrindo espaço para o quarto nome a comandar a companhia durante o governo de Jair Bolsonaro.

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Antes dele, vieram o economista Roberto Castello Branco e o general Joaquim Silva e Luna. As saídas de todos eles estão ligadas aos reajustes nos preços dos combustíveis. Entenda a seguir como elas ocorreram.

Roberto Castello Branco

Roberto Castello Branco foi nomeado ainda no início da presidência de Bolsonaro, sendo um nome escolhido pelo ministro da Economia, Paulo Guedes. Com experiência no meio empresarial, inclusive já tendo exercido funções na Petrobras, ele procurou manter a estratégia de gestão da empresa, baseada na paridade de preço internacional (PPI), e em tornar a companhia uma das maiores do mundo, sob o lema “mind the gap” (“atenção para o vão”).

Essa frase, inclusive, estava na camisa usada por ele durante a sua teleconferência de “despedida” do cargo, em fevereiro de 2021. Bolsonaro escolheu não renovar a indicação de Castello Branco para a presidência da Petrobras após sucessivos reajustes nos preços dos combustíveis.

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Joaquim Silva e Luna

Em seu lugar, veio o general Joaquim Silva e Luna, em abril de 2021. Escolhido dessa vez pelo próprio Bolsonaro, que optou pelo nome de um militar para dar maior credibilidade à sua escolha diante do eleitorado, o general assumiu com a promessa de dar mais “previsibilidade” aos reajustes.

Apesar de aumentar mais esporadicamente os preços dos combustíveis, Silva e Luna foi demitido pelo mesmo motivo do seu antecessor, após implementar um mega-reajuste de 18,8% na gasolina e 24,9% no diesel, em 11 de março deste ano. Na ocasião, a companhia havia represado reajuste após a eclosão da guerra na Ucrânia, que fez disparar o preço do petróleo no mercado internacional.

67 dias no cargo

Após a demissão do general Luna e Silva, no fim de março, Bolsonaro indicou o empresário Adriano Pires, que não chegou a assumir, após se constatar que poderia haver conflito de interesses na sua admissão.

Assumiu então José Mauro Coelho, em 14 de abril. Ele já havia sido secretário de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis do Ministério de Minas e Energia, entre abril de 2021 e outubro de 2021.

Na sua gestão, houve mais um reajuste do diesel, em 10 de março, e o mais recente, implementado no último sábado, sobre o diesel e a gasolina vendidos para as distribuidoras. Foram esses aumentos, seguidos por críticas de vários setores e do próprio presidente Bolsonaro, que levaram à sua renúncia.

José Mauro Coelho ficou 67 dias no cargo, sendo essa a presidência mais curta na história da Petrobras.

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Trocam-se os presidentes, mas PPI permanece

A política de paridade de preços de importação (PPI) foi a principal causa de todas as demissões de presidentes da Petrobras no governo Bolsonaro. Ela foi adotada logo no início da presidência de Michel Temer, em junho de 2016, e determina que a estatal deve seguir os preços praticados no mercado internacional, como forma de melhorar o próprio caixa e estimular a concorrência no setor.

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Até aqui, o PPI tem gerado lucros recordes para a Petrobras, como os R$ 44,5 bilhões alcançados no primeiro trimestre, mas reajustes constantes nos preços dos combustíveis. Esses reajustes são um dos principais fatores para a alta da inflação nos últimos meses.

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Amaury Nogueira
Amaury da Silva Nogueira é bacharelando em Letras/Edição pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Apaixonado pelo universo da escrita, atua há dois anos como redator e realiza pesquisas sobre história da edição no Brasil. Além disso, atualmente pesquisa também sobre direitos e benefícios sociais para agregar conhecimento na redação do portal de notícias FDR.