Bolsa de Valores: das 90 empresas que compõem o Ibovespa, só 2 tem CEO mulher

Neste Dia Internacional da Mulher, somos obrigados a constatar que a desigualdade de gênero ainda se expressa em diversas esferas da vida, incluindo o mundo dos negócios. A quantidade de mulheres em posições de liderança entre empresas do Ibovespa representa muito bem essa realidade.

Das 90 companhia listadas no índice da bolsa de valores B3 (anteriormente conhecida como Bovespa), apenas duas têm CEO mulher, o que representa 2,2% do total. Para piorar, as duas executivas em questão assumiram os cargos há menos de dois anos.

Cristina Betts, CEO do grupo Iguatemi, foi promovida para a posição em janeiro deste ano, enquanto Jeane Tsutsui, CEO da farmacêutica Fleury, assumiu o cargo em abril de 2021.

Outras estatísticas também ajudam a entender o quadro. Se considerarmos os conselhos de administração das empresas listadas no Ibovespa, veremos que a grande maioria deles, 78,9%, têm a presença de mulheres. Porém, quando consideramos o total de membros dos conselhos, constatamos que apenas 15,3% são mulheres.

Ou seja, as mulheres estão chegando cada vez mais alto nas esferas de comando das companhias, mas ainda em número pequeno.

Nesse aspecto, estamos atrás inclusive de outros países em desenvolvimento, como a África do Sul, que possui 22,3% das posições nos conselhos das empresas da sua bolsa de valores ocupadas por mulheres.

Já os países que são referência no assunto estão muito distantes do Brasil. Na França, por exemplo, 44,6% das cadeiras dos conselhos de grandes empresas são ocupadas por mulheres. Mas esse índice foi alcançado graças a uma lei exigindo que a participação feminina nos conselhos fosse de no mínimo 40% a partir de 2017.

Aqui no Brasil, uma iniciativa de sucesso tem sido promovida pela BRF, gigante do setor alimentício. A companhia aderiu ao programa Equidade é Prioridade, do Pacto Global da ONU, e persegue a meta de 30% de mulheres em posição de liderança até 2025.

Desigualdade em outras áreas

O mundo dos negócios parece entender que o aumento das oportunidades para mulheres não pode ser apenas uma ação de marketing. Ele também é salutar do ponto de vista do funcionamento das empresas, que se beneficiam com a diversidade interna.

Mas o avanço também deve ocorrer em outras áreas, especialmente nos salários. Atualmente, as trabalhadoras brasileiras ganham em média 20,5% a menos que seus colegas homens. Essa certamente é uma área em que maiores esforços precisam ser realizados.

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Amaury Nogueira
Amaury da Silva Nogueira é bacharelando em Letras/Edição pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Apaixonado pelo universo da escrita, atua há dois anos como redator e realiza pesquisas sobre história da edição no Brasil. Além disso, atualmente pesquisa também sobre direitos e benefícios sociais para agregar conhecimento na redação do portal de notícias FDR.