Inflação alcança maior marca em janeiro desde 2016 e vai a 10,38% em 12 meses

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou hoje (9) a inflação para o mês de janeiro, medida pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo). O índice variou positivamente em 0,54%, o maior resultado desde 2016, quando foi registrada alta de 1,27%.

Apesar disso, houve desaceleração em relação a dezembro, quando o IPCA registrou alta de 0,73%, fechando 2021 no patamar de 10,06%. Já o resultado acumulado dos últimos 12 meses, até janeiro deste ano, ficou em 10,38%, sendo também o maior em seis anos (em de 2016, esse acumulado alcançou 10,38%).

Os dados divulgados pelo IBGE refletem o cenário de inflação persistente na economia, associada a uma recuperação lenta dos impactos da pandemia de Covid-19. Em 2021, a alta dos preços ficou muito acima da meta estipulada pelo Conselho Monetário Nacional, que era 3,75%, e acima do teto da meta, que era 5%.

Em 2021, a meta de inflação, com centro em 3,50% e teto em 5%, deve ser descumprida novamente. O último boletim Focus, do Banco Central, prevê uma alta de 5,44% no IPCA este ano.

O BC vem elevando as taxas de juros numa tentativa de conter a inflação. Depois de chegar a níveis muito baixos, a Selic voltou a ter dois dígitos, ficando em 10,75%, após a revisão feita pelo Copom na semana passada.

Com a elevação da Selic, as demais das taxas de juros na economia devem subir também. A consequência disso é que investimentos e consumo, dependentes da concessão de crédito pelas instituições financeiras, devem recuar, impactando diretamente na recuperação econômica.

Alimentação sobe e transporte cai

O segmento que mais contribuiu para a inflação de janeiro foi o de alimentos e bebidas, com aumento médio de 1,11%. O motivo seriam as condições climáticas desfavoráveis, como as enchentes em Minas Gerais e Bahia e a seca prolongada na região Sul.

Por outro lado, o segmento de transporte teve uma queda considerável, contribuindo para o resultado do IPCA ser inferior ao de dezembro. Dentro desse segmento, que foi o único dos nove analisados a ter queda de preços, passagens áreas e combustíveis deram a maior contribuição, com recuo de -18,35% e -1,23%, respectivamente.

A queda no preço das passagens áreas pode ser sazonal, embora o setor esteja aquecido com a flexibilização dos deslocamentos. Os combustíveis, por seu lado, vêm de seguidas altas, sendo que somente a gasolina ficou 45% mais cara em 2021.

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Amaury Nogueira
Amaury da Silva Nogueira é bacharelando em Letras/Edição pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Apaixonado pelo universo da escrita, atua há dois anos como redator e realiza pesquisas sobre história da edição no Brasil. Além disso, atualmente pesquisa também sobre direitos e benefícios sociais para agregar conhecimento na redação do portal de notícias FDR.