Eleições 2022: se Lula vencer, o que vai acontecer com o Auxílio Brasil?

Após 18 anos em vigor, o Bolsa Família, criado na gestão de Lula, se consolidou como o programa social mais popular entre os brasileiros de Baixa Renda. Alvo de críticas durante anos, a transferência de renda foi substituída pelo Auxílio Brasil pelo atual presidente da República, Jair Bolsonaro, em novembro do ano passado, pagando hoje uma média de R$ 400 a 17,6 milhões de famílias.

Bolsonaro, crítico ferrenho contra o Partido dos Trabalhadores (PT), em especial contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, se empenhou em reestruturar o Bolsa Família e relançá-lo em novo formato e denominação para deixar o programa com “a sua cara”.

A medida foi efetivada em cumprimento a uma das promessas de campanha ainda em 2018 e já como uma preparação para cativar o apoio da população mais vulnerável para o próximo pleito eleitoral.

O propósito de Bolsonaro conquistar este público está vinculado ao fato de que, justamente por terem sido atendidos durante anos por iniciativas sociais elaboradas e implementadas pelo PT, o favoritismo deles está atrelado ao partido, sobretudo, nos estados da região Nordeste.

Este favoritismo representa uma grande ameaça a Bolsonaro, que viu sua popularidade cair drasticamente nas últimas pesquisas sobre a corrida ao pleito eleitoral de 2022.

Mas ao que parece, Lula não está muito feliz em ver o projeto no qual tanto se empenhou ir por água abaixo. Por isso, na declaração mais recente feita sobre o assunto, o ex-presidente mencionou a possibilidade de o Bolsa Família retornar como uma forte proposta de campanha eleitoral na disputa pela presidência da República no decorrer deste ano.

Na ocasião, ele propôs aumentar o valor da transferência de renda que antes pagava a média de R$ 189 para R$ 600.

Essa diferença de R$ 200 em relação ao atual Auxílio Brasil visa se sobressair em comparação às proposições de Bolsonaro. A intenção de Lula foi divulgada durante uma entrevista à rádio carioca, Rádio Tupi, enquanto ele proferia críticas ao substituto do Bolsa Família, insinuando que o novo programa foi criado exclusivamente com foco eleitoral.

Mas isto não é uma novidade, tendo em vista que o próprio Bolsonaro e equipe fizeram tais menções relacionadas ao programa durante meses.

Vale destacar que a proposta de Lula se equipara à mesma quantia paga pelo auxílio emergencial de abril a agosto de 2020. Por um determinado momento, logo que as tratativas referentes ao substituto do Bolsa Família começaram a ser debatidas e estruturadas, Bolsonaro chegou a mencionar o desejo de pagar esse mesmo valor na transferência de renda. No entanto, diante a impasses orçamentários não conseguiu cumprir a promessa.

Logo que o Auxílio Brasil foi lançado em novembro de 2021, o Governo Federal pagou a quantia média de R$ 217,18 a 14,6 milhões de famílias em situação de vulnerabilidade social, as mesmas que já faziam parte do Bolsa Família até o último mês de vigência, em outubro.

Somente em dezembro, quando conseguiu que a PEC dos Precatórios fosse aprovada, elevou o valor médio para R$ 400 e em janeiro ampliou o número de famílias beneficiárias.

Ainda assim, Lula não aparenta estar de acordo com nenhuma tratativa feita por Bolsonaro. Neste sentido, ele denominou Bolsonaro como um “político medíocre e pequeno” capaz de enganar a população na tentativa de inventar algum programa qualquer durante ano eleitoral.

“É importante o Bolsonaro entender que o povo está mais esperto. A mesma mentira não cola duas vezes. Ele já foi resultado de mentira em 2018. Foi a maior campanha de fake news e de mentiras do Brasil”, declarou Lula.

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Laura Alvarenga
Laura Alvarenga é graduada em Jornalismo pelo Centro Universitário do Triângulo em Uberlândia - MG. Iniciou a carreira na área de assessoria de comunicação, passou alguns anos trabalhando em pequenos jornais impressos locais e agora se empenha na carreira do jornalismo online através do portal FDR, onde pesquisa e produz conteúdo sobre economia, direitos sociais e finanças.