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Governo Lula decepciona ao adiar nova regra trabalhista que beneficiaria o CLT

Por Lila Cunha
27 de fevereiro de 2026
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Governo Lula decepciona ao adiar nova regra trabalhista que beneficiaria o CLT

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a frustrar expectativas em relação às mudanças nas normas que regem o trabalho ao domingos e feriados, adiando, pela quinta vez, a entrada em vigor de uma regra que poderia trazer mais previsibilidade e diretrizes claras para milhões de trabalhadores sob a CLT (Consolidação das Leis do Trabalho).

governo lula
Governo Lula decepciona ao adiar nova regra trabalhista que beneficiaria o CLT
(Foto: Jeane de Oliveira/FDR)

O governo federal, por meio do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), revogou novamente o início da nova portaria que altera como o comércio deve operar em domingos e feriados.

A mudança estava prevista para valer em 1º de março de 2026, mas agora foi postergada para 1º de junho — um atraso de 90 dias que se soma a outros adiamentos anteriores e que agrava a incerteza jurídica e operacional no setor.

A portaria em questão — publicada originalmente em novembro de 2023 — pretendia restaurar a exigência de convenção coletiva entre empregadores e sindicatos para autorizar o trabalho nessas datas, em vez do acordo direto entre patrões e empregados.

O que a decisão significa na prática?

Atualmente, a ausência dessa norma obrigatória mantém vigente um modelo baseado apenas em acordos individuais, que pode favorecer interpretações conflitantes e pouca proteção real ao trabalhador.

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Em outras palavras, para que o funcionário trabalhe aos domingos ou durante feriados basta que ele faça esse acordo com o seu patrão, sem necessidade de uma avaliação do sindicato que o representa.

A nova regra prometia padronizar a negociação coletiva — teoricamente garantindo mais direitos e segurança jurídica a quem cumpre jornada em dias especiais, por meio da aprovação dos sindicatos. 

No entanto, o adiamento frequente gera mais incerteza do que benefícios imediatos:

  • Empresários reclamam que a indefinição dificulta decisões sobre escalas, custos operacionais e cumprimento da legislação trabalhista.
  • Trabalhadores ficam sem clareza sobre como serão remunerados ou compensados em feriados e domingos.
  • O governo justifica que o prazo extra é necessário para ampliar negociações entre empregadores e sindicatos.

Um adiamento que levanta dúvidas

Analistas apontam que, mais do que um gesto de diálogo social, o contínuo adiamento pode ser interpretado como falta de capacidade de implementar mudanças estruturais com segurança jurídica.

Em um cenário em que trabalhadores buscam direitos mais estáveis e empregadores buscam previsibilidade, a decisão pode beneficiar pouco ambos os lados — e prejudicar muitos no meio do caminho.

E agora?

A nova data de vigência — 1º de junho de 2026 — ainda pode ser alterada se persistirem diferenças entre as partes envolvidas.

Enquanto isso, o mercado, sindicatos e trabalhadores seguem sem uma regra fixa que indique com clareza como serão tratadas as jornadas em domingos e feriados no comércio.

Lila Cunha

Lila Cunha

Lila Cunha é formada em jornalismo pela Universidade de Mogi das Cruzes (UMC) desde 2018. Já atuou em jornal impresso. Trabalha com apuração de hard news desde 2019, cobrindo o universo econômico em escala nacional. Especialista na produção de matérias sobre direitos e benefícios sociais.

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