Globo investe bilhões para conseguir ‘bater de frente’ com a Netflix

O mercado do entretenimento no país está assistindo a uma briga entre duas gigantes. De um lado, a Netflix, antes soberana no streaming, vê sua liderança ser ameaçada a nível global e, especialmente, na América Latina. Do outro, o Grupo Globo, líder na TV aberta e na TV por assinatura, está fazendo uma aposta alta para crescer no streaming, onde já tem mais assinantes brasileiros que a Netflix.

Isso se reflete no valor que a emissora carioca está planejando investir em tecnologias para aprimorar o seu serviço de streaming, o globoplay. Até o fim de 2022, serão R$ 2,5 bilhões gastos com essa finalidade. O valor é o dobro do que foi investido no ano passado (R$ 1,2 bilhão) e aponta para uma estratégia arrojada do Grupo Globo nesse mercado.

O alto investimento no streaming, inclusive, está fazendo a companhia conviver com déficits operacionais. Em 2021, ela teve um prejuízo de R$ 174 milhões, apesar de ter alcançando um faturamento de R$ 14,4 bilhões no período, 15% superior ao de 2020.

A estratégia do grupo já vem de alguns anos e está baseada na percepção de que o streaming é o futuro da TV. A tendência é que o seu canal na TV aberta valha cada vez menos e tenha seu valor de mercado superado gradualmente pelo valor de mercado do globoplay.

É nessa plataforma que a Globo deve lançar cada vez mais conteúdos originais, como o recente sucesso “Verdades Secretas 2”. A estratégia da companhia, no entanto, também inclui oferecer atrações das suas concorrentes, como HBO Max, Amazon Prime, Apple TV+ e até da própria Netflix.

Netflix em crise

O alto investimento da Globo vem num momento de crise da Netflix. A companhia americana teve perda de assinantes pela primeira vez, no primeiro trimestre, e vem sofrendo com a concorrência de outras plataformas de streaming nos últimos anos.

A emissora carioca, no entanto, possui uma vantagem nessa briga, por ser uma empresa de capital fechado. Isso significa que ela não precisa se importar tanto com o que o mercado ou seus parceiros comerciais acham das suas escolhas de investimento. A Globo simplesmente adota uma estratégia que considera mais vantajosa no longo prazo e a executa, arcando com os eventuais custos.

A Netflix, por seu lado, precisa se preocupar com o que os investidores pensam do seu desempenho. O seu crescimento até aqui, na verdade, foi baseado em vender para o mercado a expectativa de crescimento futuro.

Isso se reflete na perda gigantesca em valor de mercado que veio após a divulgação do relatório ruim do primeiro trimestre. De R$ 1,5 trilhão, a companhia americana agora vale cerca de R$ 500 bilhões.

Para reverter suas perdas, a Netflix já anunciou mudanças. Uma delas é a adoção de uma estratégia mais enxuta, com maior rigidez na aplicação de investimentos. Isso deve significar, por exemplo, o fim dos gastos bilionários em centenas de produções originais. Outra mudança é a criação de planos mais baratos, com anúncios.

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Amaury Nogueira
Amaury da Silva Nogueira é bacharelando em Letras/Edição pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Apaixonado pelo universo da escrita, atua há dois anos como redator e realiza pesquisas sobre história da edição no Brasil. Além disso, atualmente pesquisa também sobre direitos e benefícios sociais para agregar conhecimento na redação do portal de notícias FDR.