Netflix em crise: entenda qual o futuro da plataforma de streaming

A Netflix foi pioneira num modelo de negócios considerado revolucionário, que ela ainda domina, mas que já começa a dar sinais de esgotamento. O anúncio feito pela companhia de uma redução no número de assinantes pela primeira vez na sua história fez o valor das suas ações despencarem e é um forte indício de que o futuro do mercado de streaming já não parece tão promissor.

A Netflix surgiu em 1997, atuando inicialmente como um serviço de entrega de DVD pelo correio. Em 2007, a companhia se transformou numa plataforma de streaming e três anos depois começou a atuar fora dos Estados Unidos. Porém, foi apenas com a decisão de começar a criar conteúdo próprio, em 2012, que ela realmente passou a alcançar sucesso global, com um crescimento de 750% no número de assinantes desde então.

Essa expansão foi sustentada por um investimento pesado na criação de conteúdo próprio. Entre 2019 e 2021, foram 55 bilhões de dólares (R$ 268 bilhões) gastos com esse fim. Com números tão grandes, talvez seja surpreendente que a Netflix tem registrado o primeiro lucro da sua história somente no fim do ano passado.

Isso se explica pelo fato de que a expansão da companhia se deu através da venda de títulos de dívida, impulsionada pelos juros baixos (nos Estados Unidos, especialmente) e por investidores impressionados com o crescimento contínuo do número de assinantes da plataforma. A relação da Netflix com esses investidores, inclusive, não parece ter se dado de forma muito transparente, uma vez que a companhia não divulgava o número de assinantes de alguns países, nem o número de visualizações dos seus conteúdos.

No entanto, apesar de algumas inconsistências que já podiam ser notadas, esse modelo de negócios foi copiado por outras empresas, ávidas por conquistar um espaço no mercado em ascensão. Algumas delas já estavam estabelecidas no mundo do entretenimento há bastante tempo, a exemplo da Disney, com o Hulu e o Disney+, da Warner Bros. Discovery, com o HBO Max, e da Paramount, com o Paramount+. Outras fortes concorrentes vieram da indústria tecnológica, como a Apple, com o Apple TV Plus, e a Amazon, com o Amazon Prime.

Esses novos players também passaram a investir pesado na produção de conteúdo próprio e aumentaram a concorrência no mercado de streaming, que se revelou bem menor que o esperado.

Para piorar a situação, o mundo vive desde o ano passado uma inflação generalizada, que diminui o poder de compra dos consumidores ativos e potenciais dessas plataformas. Todos esses fatores, combinados com o aumento no preço das assinaturas da Netflix, ajudam a explicar a estagnação pela qual a empresa passa agora.

Seus executivos já anunciam mudanças para reverter o quadro. Espera-se, por exemplo, que a Netflix lance pacotes de assinatura mais baratos, mas com propaganda, algo que a companhia sempre se recusou a utilizar.

Os analistas também preveem que as cifras no restante do mercado de streaming continuem crescendo por um tempo, mas que as empresas restrinjam seus modelos de negócio, mudando o foco da distribuição para a produção de conteúdo.

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Amaury Nogueira
Amaury da Silva Nogueira é bacharelando em Letras/Edição pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Apaixonado pelo universo da escrita, atua há dois anos como redator e realiza pesquisas sobre história da edição no Brasil. Além disso, atualmente pesquisa também sobre direitos e benefícios sociais para agregar conhecimento na redação do portal de notícias FDR.