Assinou contrato de compra de imóveis em 2021? Saiba por que você deve se preocupar com aumentos da Selic

Os juros em alta prejudicam de maneira direta diversos contratos de financiamento de imóveis. Há três anos, as condições oferecidas para adquirir um apartamento na planta deixavam entusiasmados até os corretores de imóveis, como Maviael Santos.

“A ideia é comprar o apartamento para investimento, para locação e, com o dinheiro da locação, pagar o financiamento. Já agora, já não está dando para pagar, tem que completar para a gente conseguir honrar com o compromisso no dia a dia”, disse ele ao Jornal Nacional da TV Globo.

Após quase três anos do lançamento, o financiamento começou a ser pro agora, no momento da entrega das chaves. No entanto, neste intervalo, muita coisa mudou. Os juros e a inflação subiram e e o apartamento que inicialmente custaria R$370 mil, subiu para R$520 mil, uma vez que a modalidade escolhida por ele não foi o de taxa fixa mas, sim a atrelada à taxa Selic. 

“A gente estava trabalhando no mercado, a gente vende isso no dia a dia, e estava promissor para todo mundo”, disse ele.

A Selic altera todas as taxas da economia, até mesmo os juros do financiamento imobiliário. Com isso, antes do início da pandemia do coronavírus, muitos brasileiros tiveram como arcar com o pagamento das parcelas. No entanto, ninguém imaginava que a taxa básica de juros ia se elevar tanto num curto período de tempo.

Em 2021, o Banco Central iniciou os aumentos consecutivos da Selic. Em junho, a taxa estava em 4,25% e, nesta semana, foi elevada para 12,75%.

Este aumento na taxa não é repassado na mesma proporção para as taxas de financiamento imobiliário, porém, apesar disso, a média, que estava em 6,96% em junho do ano passado, deve passar a girar em torno de 10%.

De acordo com Juliana Inhasz, economista do Insper, o aumento da Selic pegou muitos consumidores de surpresa.

“Quando a taxa Selic, de fato, estava muito baixa ou ela estava apontando para baixo com uma velocidade muito grande, financiamentos atrelados à Selic eram muito atrativos. Então, o consumidor, naquele momento, de fato, fez a melhor escolha. Porém, o que acontece é que a gente não imaginava que no meio do caminho ia ter uma pandemia que pioraria o cenário macroeconômico de uma forma tão grande que levaria essa Selic para valores muito elevados”, disse ela ao JN.

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Paulo Amorim
Paulo Henrique Oliveira é formado em Jornalismo pela Universidade Mogi das Cruzes e em Rádio e TV pela Universidade Bandeirante de São Paulo. Atua como redator do portal FDR, onde já cumula vasta experiência e pesquisas, produzindo matérias sobre economia, finanças e investimentos.