Poupança nacional contabiliza mais de R$ 15 bilhões em saques

O Banco Central divulgou na segunda-feira (25) o Relatório da Poupança de março, com as estatísticas da aplicação financeira para o mês. Assim como ocorreu em janeiro e fevereiro, em março os brasileiros sacaram mais dinheiro do que depositaram nas suas cadernetas de poupança.

O saldo negativo teve valor recorde: R$ 15,356 bilhões. É a maior retirada líquida de dinheiro para o mês de março desde o início da série histórica do BC, em janeiro de 1995. Foram R$ 327,109 bilhões em saques e R$ 311,753 bilhões em depósitos no período.

O valor é bem superior ao registrado em fevereiro, quando a poupança teve saldo negativo de R$ 5,35 bilhões, e menor que o registrado em janeiro, quando os saques superaram os depósitos em R$ 19,665 bilhões, maior valor mensal desde o início da série histórica do BC.

Com isso, a poupança terminou o primeiro trimestre de 2022 com R$ 40,4 bilhões a menos, o pior resultado trimestral da história.

O relatório, que deveria ter sido divulgado em 6 de abril, mas só saiu agora devido à greve dos servidores do Banco Central, também traz uma prévia para o mês atual. Até 14 de abril, a poupança apresentava saldo negativo de R$ 5,917 bilhões.

Inflação e baixo rendimento

Os primeiros meses do ano costumam registrar mais saques que depósitos na poupança, devido às contas que surgem no período, como IPVA, IPTU, material escolar e gastos com viagens. Porém, os valores registrados em 2022 superam os valores registrados em 2021. Em março do ano passado, por exemplo, os saques superaram os depósitos em R$ 3,524 bilhões.

A saída recorde de recursos da poupança é certamente um reflexo da perda de renda dos brasileiros, acentuada pela inflação alta. O IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) fechou 2021 em 10,06% e continua acima de dois dígitos no acumulado de 12 meses. Isso representa uma forte diminuição no poder de compra dos brasileiros, em especial os mais pobres. Entre os itens que estão ficando mais caros, destacam-se os alimentos e os combustíveis.

Outra explicação para os recordes negativos na poupança é o baixo rendimento dessa aplicação financeira. Com a decisão do Banco Central de elevar a Selic (está atualmente em 11,75% ao ano) para conter a inflação, o rendimento da poupança agora é de Taxa de Referência (TR), atualmente em 1,57% ao ano, mais uma taxa fixa de 6,17% ao ano. O rendimento total é inferior à inflação e ao retorno de outras aplicações financeiras, incluindo títulos de renda fixa.

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Amaury Nogueira
Amaury da Silva Nogueira é bacharelando em Letras/Edição pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Apaixonado pelo universo da escrita, atua há dois anos como redator e realiza pesquisas sobre história da edição no Brasil. Além disso, atualmente pesquisa também sobre direitos e benefícios sociais para agregar conhecimento na redação do portal de notícias FDR.