O que é a taxa Selic? Como ela impacta o seu dia a dia?

Pontos-chave
  • Selic é a taxa básica de juros da economia
  • Estudo aponta que dois em cada três adultos no mundo são analfabetos financeiros
  • Número alto de pessoas pelo mundo não sabem como funciona os índices da economia

De acordo com uma das mais abrangentes pesquisas globais a respeito de educação financeira, a S&P Global Financial Literacy Survey, mostrou que dois em cada três adultos no mundo são analfabetos financeiros. Isto significa que um número alto de pessoas pelo mundo não sabem minimamente como funciona os índices da economia. Um dos termos mais falados ultimamente é Taxa Selic, mas será que você sabe o que ela representa?

Selic

A Selic é a taxa básica de juros da economia. Seu nome vem de uma abreviação de Sistema Especial de Liquidação e de Custódia, um sistema administrado pelo Banco Central do Brasil (BCB) em que são negociados títulos públicos federais.

“Quando ouvimos “A taxa Selic subiu” ou “A taxa Selic caiu” é necessário compreender de que forma essa movimentação irá afetar o nosso dia a dia, pois ela impacta diretamente os empréstimos, financiamentos de imóveis, veículos etc. e investimentos que são atrelados à taxa Selic, como os de renda fixa: CDB, LCI/LCA e a caderneta de poupança”, disse Iverson Leles de Souza, supervisor de crédito e educador financeiro do Banco Semear.

Mas trazendo pra nossa realidade, o que tudo isso significa e como a Selic tem relação com os preços dos alimentos, do gás, dos combustíveis, do aluguel, entre outros? “Quando a taxa Selic sobe, os juros cobrados nos financiamentos e o  valor dos empréstimos ficam mais altos e isso desestimula o consumo, o que favorece a queda da inflação. Quando a Selic cai, há um cenário favorável para se tomar dinheiro emprestado uma vez que os juros cobrados nas operações ficam mais baratos e isso favorece o consumo”, acrescentou Leles.

É importante destacar que no cenário atual do nosso país, os consumidores vem sentindo um movimento contraditório, quer dizer, o crescimento da inflação, mesmo com o movimento de alta da Selic desde março do ano passado, que subiu de 2% ao ano para 11,75% recentemente. Iverson explicou o que está acontecendo:

“O Banco Central do Brasil aumentou a taxa Selic para forçar o baixo consumo das pessoas, já que os juros nos financiamentos ficam mais caros, e com o intuito de frear a alta da inflação, mas isso não está ocorrendo na prática devido há alguns fatores, sendo eles: alta do preço das commodities, como os combustíveis derivados de petróleo, vilões no comportamento da inflação; a desvalorização cambial (real frente ao dólar). Na prática, quase sempre há um “descasamento entre Selic e inflação”, disse Iverson, ressaltando  também que, todo movimento na economia leva um tempo para que comece a fazer efeito.

“Vale lembrar que por mais distante que esteja, a guerra entre Ucrânia e Rússia causa impactos em todas as economias”, acrescenta.

Financiamentos e endividamento

Os consumidores que fizeram algum tipo de financiamento há um ano, certamente não teriam as mesmas condições se o fizesse agora, já que a taxa vem crescendo nos últimos meses. 

Os consumidores que realizaram financiamentos com taxas pré-fixadas, não tiveram reajustes em seus contratos. Para explicar melhor, vamos pensar em um consumidor que tenha se dirigido a uma loja com a vontade de adquirir um fogão que custa R$700 à vista. No entanto, ele preferiu comprar o produto de maneira parcelada e o financiamento foi feito em 10 parcelas iguais de R$ 100, ou seja, no momento da compra já era claro  quanto iria sair aquela compra parcelada, R$ 1.000.

Pensando em investimentos o raciocínio é o mesmo. O investidor aplicou seu dinheiro em um CDB atrelado a uma taxa pré-fixada de 8% ao ano (a.a.) e atualmente a taxa Selic está em 11,75% a.a. O investidor permanecerá recebendo sobre os 8% a.a. e não sobre os 11,75%, já que que a taxa acordada anteriormente foi de 8%. 

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Paulo Amorim
Paulo Henrique Oliveira é formado em Jornalismo pela Universidade Mogi das Cruzes e em Rádio e TV pela Universidade Bandeirante de São Paulo. Atua como redator do portal FDR, onde já cumula vasta experiência e pesquisas, produzindo matérias sobre economia, finanças e investimentos.