Tesouro Direto: rentabilidade da maior parte dos títulos fecha trimestre no azul; saiba como investir

Pontos-chave
  • Todos os títulos do Tesouro Direto tiveram rentabilidade positiva no encerramento de março;
  • No acumulado anual, ainda houve alguns ativos com performance negativa;
  • O investimento no Tesouro pode ser feito por meio de bancos e corretoras autorizados.

No primeiro trimestre deste ano, grande parte dos títulos do Tesouro Direto aumentou. As exceções foram os papéis de longo prazo indexados ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), com vencimentos em 2035, 2045 e 2055.

Tesouro Direto: rentabilidade da maior parte dos títulos fecha trimestre no azul; saiba como investir
Tesouro Direto: rentabilidade da maior parte dos títulos fecha trimestre no azul; saiba como investir (Imagem: Montagem/FDR)

em março, a rentabilidade dos onze títulos do Tesouro Direto subiu no encerramento do mês. Dentre estes, se destacaram os ativos atrelados à inflação e de longo prazo.

Entre os acontecimentos de março, especialistas consultados pelo Valor destacam a redução dos juros futuros.

Isso aconteceu por conta da sinalização do Banco Central de que, possivelmente, encerrará o ciclo de aumento de juro em maio — quando acontecerá a próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom).

Por conta dessa indicação do BC, houve forte ajuste da curva de juros, de modo a valorizar os títulos do Tesouro Direto. A devolução de parcela do aumento do valor do barril do petróleo também contribuiu para o fechamento da curva — pois implica menor pressão inflacionária.

Valorização de Títulos do Tesouro Direto

Os únicos papéis que reduziram no primeiro trimestre foram os de longo prazo atrelados à inflação. Os títulos com vencimento em 2045 caíram 4,54% no período. Apesar disso, em março, a rentabilidade do papel encerrou em alta de 7,54%.

Assim como aconteceu nos últimos meses, os dois títulos ligados à Selic encerraram março em alta — em termos nominais, desconsiderando a inflação. As taxas dos títulos com vencimentos em 2025 e 2027 tiveram aumentos, respectivos, de 0,94% e 0,77%. No trimestre, os aumentos foram de 2,73% e 2,87%.

O título prefixado com vencimento em 2025 apresentou aumento de 0,50% em março. No primeiro trimestre, a alta foi de 0,31%.

Os demais papéis prefixados, que passaram a ser oferecidos pelo Tesouro Direto recentemente, ainda não têm cálculo de retorno trimestral.

De qualquer modo, estes fecharam março com essas rentabilidades: 0,59% para o Tesouro Prefixado com vencimento em 2029; e 0,44% para os títulos com vencimento em 2033, mais pagamentos de juros semestrais.

Cabe lembrar que tanto os papéis prefixados quanto os indexados ao IPCA, quanto maior a taxa, menor o preço.

Sendo assim, quando as taxas aumentam, mesmo que seja uma notícia favorável para quem investirá — pois garante maior rentabilidade se mantiver o investimento até o vencimento —, o preço de mercado dos papéis reduz. Isso implica em temporária perda para quem tem os títulos na carteira.

Desempenho dos títulos do Tesouro Direto em 2022

Este foi o desempenho anual do Tesouro direto até 31 de março, segundo elaborado pelo Valor Data:

  • Prefixados
    • Tesouro Prefixado 2023: 2,03%
    • Tesouro Prefixado 2024: 0,49%
    • Tesouro Prefixado 2025: 0,31%
    • Tesouro Prefixado 2026: −0,53%
    • Tesouro Prefixado 2029: –
    • Tesouro Prefixado com Juros Semestrais 2023: 2,12%
    • Tesouro Prefixado com Juros Semestrais 2025: 0,65%
    • Tesouro Prefixado com Juros Semestrais 2027: −0,31%
    • Tesouro Prefixado com Juros Semestrais 2029: −1,45%
    • Tesouro Prefixado com Juros Semestrais 2031: −2,54%
    • Tesouro Prefixado com Juros Semestrais 2033: –
  • Indexados à taxa Selic
    • Tesouro Selic 2023: 2,51%
    • Tesouro Selic 2024: 2,64%
    • Tesouro Selic 2025: 2,73%
    • Tesouro Selic 2027: 2,87%
  • Indexados ao IGP-M
    • Tesouro IGPM+ com Juros Semestrais 2031: 4,56%
  • Indexados ao IPCA
    • Tesouro IPCA+ 2024: 3,79%
    • Tesouro IPCA+ 2026: 3,03%
    • Tesouro IPCA+ 2035: −0,95%
    • Tesouro IPCA+ 2045: −4,54%
    • Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2024: 3,83%
    • Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2026: 3,19%
    • Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2030: 1,46%
    • Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2032: –
    • Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2035: 0,56%
    • Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2040: 0,61%
    • Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2045: 0,28%
    • Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2050: −0,03%
    • Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2055: −0,64%

*os títulos sem rentabilidade anual estão disponíveis a menos tempo. Por conta disso, não há cálculo de retorno.

A marcação a mercado pode proporcionar grande volatilidade em Tesouro Direto. Isso pode ser tanto para o lado positivo, aumento o retorno potencial; quanto para o negativo, com possibilidade de perdas — como ocorreu em novembro com títulos ligados a inflação e com juros prefixados.

Vale destacar que a oscilação impacta somente os investidores que resgatam os investimentos antes da data de vencimento. Caso a pessoa mantenha a aplicação até a data estabelecida, o retorno previsto no momento da compra está assegurado.

Os investidores podem aplicar no Tesouro Direto pela internet
Os investidores podem aplicar no Tesouro Direto pela internet (Imagem: Montagem/FDR)

Como investir no Tesouro Direto

O investimento no Tesouro Direto pode ser feito por qualquer pessoa que tenha CPF e uma conta bancária, corrente ou poupança.

  1. Simule seu investimento: o site do Tesouro Direto possui um simulador para o investidor entender qual é o melhor título para suas necessidades.
  2. Faça seu cadastro: o cadastro do Tesouro Direto deve ser realizado diretamente nos bancos e corretoras habilitados. Por meio dessas instituições, o investidor disponibilizará o valor que deseja aplicar — e receberá o dinheiro quando resgatar essas aplicações.
  3. Transfira o dinheiro: transfira a quantia que deseja investir, da conta bancária para a conta da instituição cadastrada no Tesouro Direto.
  4. Comece a investir: é possível investir pela plataforma da instituição em que realizou o cadastro, pelo portal ou aplicativo oficial do Tesouro Direto.

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Silvio Souza
Silvio Suehiro Souza é formado em Comunicação Social - Jornalismo pela Universidade de Mogi das Cruzes (UMC). Desde 2019 dedica-se à redação do portal FDR, onde tem acumulado experiência e vasto conhecimento na área ligada a economia, finanças e investimentos. Além disso, Silvio produz análises sobre produtos e serviços financeiros, sempre prezando pela imparcialidade e informações confiáveis.