Com a nova Selic, quanto rende R$ 1.000 na Renda Fixa?

Pontos-chave
  • Copom eleva pela nova vez a Selic
  • Novo patamar altera o rendimento das aplicações em renda fixa
  • Poupança segue com o pior retorno

Nesta semana, o Copom (Comitê de Política Monetária) elevou pela nona vez seguida a taxa Selic em um ponto percentual, indo para 11,75%. Com este novo aumento, os rendimentos das principais aplicações de renda fixa se alteram.

Michael Viriato, estrategista da Casa do Investidor, fez um levantamento a pedido da CNN Brasil para descobrir quando uma aplicação de R$1 mil renderia com o novo patamar da Selic. A lista traz valores em percentuais e em reais sobre o Tesouro Direto, CDBs, fundos DI, que possuem rendimento predeterminado e que acompanham o CDI e a famosa Poupança.

O CDI (Certificado de Depósito Interbancário) é um título emitido em operações realizadas  entre instituições bancárias.

As simulações utilizaram as taxas de administração de 0,5% para os fundos e 0,2% para o Tesouro Selic, porém essa cobrança pode variar entre fundos e corretoras.

É importante ressaltar ainda que a taxa de custódia do Tesouro Selic, cobrada pela B3, está atualmente zerada para aplicações de valor menor que R$10 mil.

De acordo com o estudo, entre os principais investimentos, o CDB do banco médio é a melhor opção para o curto e também para o longo prazo. Ao considerar uma aplicação de R$1 mil ao longo de seis meses, ao final do período, o valor será de R$ 1.048,48 e em 30 meses, R$ 1.294,96.

Já a pior aplicação é a queridinha dos brasileiros, a poupança, com rendimento de R$ 1.035,71, no curto prazo, e R$ 1.191,78, no longo prazo.

Selic sofre nova alta

A projeção do Banco Central para a Selic se cumpriu e a taxa subiu em um ponto percentual. Este aumentou colocou em evidência a inflação persistente, mas em uma magnitude menor, de acordo com Gustavo Bertotti, economista-chefe da Messem Investimentos.

De acordo com ele, no último reajuste, aconteceu uma diminuição no ritmo de alta dos juros básicos.

Nesta quarta, 16, a Taxa Selic foi elevada de 10,75% para 11,75% ao ano, contabilizando o nono aumento seguido desde março de 2021. Na visão de Gustavo, esta piora significativa dos balanços de riscos para a inflação pode se refletir nos novos rumos da política monetária.

O economista ressaltou que o IPCA do último mês teve a maior alta para fevereiro em sete anos, de 1,01%, acumulando 10,54% na base anual.

O comunicado do Copom sinaliza que a situação atual, com a Selic em 12,75% ao final do ciclo, traria a a convergência da inflação para a meta.

Porém, Gustavo destaca que o mercado já vem precificando uma taxa Selic mais alta no fim do ciclo do aperto, com projeções girando em torno de 13,50%.

Ele relembra que, na ata da última reunião do Copom, os membros haviam demonstrado que iriam diminuir o ritmo de alta da taxa Selic pois os aumentos mais recentes ainda estavam sendo percebidas pelo mercado.

Porém, o conflito entre a Rússia e Ucrânia começou a se refletir na inflação do Brasil, através do aumento recente no preço dos combustíveis.

“Considerando o agravamento do cenário inflacionário global, com impulso do aumento dos preços dos combustíveis e a guerra na Ucrânia, os próximos meses serão desafiadores para economia brasileira, podendo refletir em uma nova disparada do IPCA e novos rumos em relação a deter condução da política monetária”, disse Gustavo ao MoneyTimes.

Para este ano, a meta de inflação que deverá ser perseguida pelo Banco Central, definida pelo Conselho Monetário Nacional, é de 3,5%, com um intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. Sendo assim, o limite é tolerado fica entre  2% e 5%.

Segundo a visão dos analistas de mercado, o teto da meta será novamente estourado este ano.

No Brasil, a taxa Selic é a taxa média ajustada dos financiamentos diários apurados no Sistema Especial de Liquidação e de Custódia para títulos federais.

Ela é obtida mediante o cálculo da taxa média ponderada e ajustada das operações de financiamento por um dia, lastreadas em títulos públicos federais e cursadas no referido sistema ou em câmaras de compensação e liquidação de ativos, na forma de operações compromissadas

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Paulo Amorim
Paulo Henrique Oliveira é formado em Jornalismo pela Universidade Mogi das Cruzes e em Rádio e TV pela Universidade Bandeirante de São Paulo. Atua como redator do portal FDR, onde já cumula vasta experiência e pesquisas, produzindo matérias sobre economia, finanças e investimentos.