Policiais militares são condenados por crime envolvendo Pix; entenda o caso

Quatro policiais militares de Praia Grande (SP) foram condenados no dia 11 de março pelos crimes de extorsão, constrangimento ilegal, associação criminosa e roubo. Duas das vítimas dos PM’s foram obrigadas a transferir R$ 25 mil por PIX para não serem presas por posse de maconha. O caso foi relatado pelo colunista Josmar Jozino, do UOL.

A condenação só foi possível graças ao depoimento de uma das vítimas, um mecânico de 29 de anos, que testemunhou todos os crimes pelos quais os oficiais foram condenados agora.

O mecânico foi abordado pela primeira vez em 6 de julho de 2021, pelo cabo Miguel Rogério Will Cotona e pelos soldados Jaime Gomar de Castro e Paulo Dinoel Souza Pereira. Ele estava acompanhado por um amigo ambulante, de 37 anos. Os dois já tinham passagem pela polícia, o que pode ter sido usado para extorsão. Os PM’s roubaram R$ 2.500 das vítimas nessa ocasião.

Em 21 e 22 de agosto, o mecânico voltou a ser abordado, mas em ambas as ocasiões os soldados Jaime e Paulo estavam acompanhados do sargento Rodrigo Pissiquelli. Em 22 de agosto, o mecânico estava acompanhado de um amigo que também tinha passagens na polícia e que foi obrigado pelos PM’s a ir de moto até um local no noroeste de Santos (SP), onde receberia R$ 30 mil de alguém. A pessoa que entregaria o dinheiro, no entanto, não apareceu.

No dia seguinte, em 23 de agosto, os quatro policiais envolvidos no caso abordaram duas pessoas que consumiam maconha dentro de um veículo e exigiram que elas pagassem R$ 50 mil para não serem presas. Posteriormente, baixaram o valor para R$ 25 mil, que deveriam ser enviados por Pix.

O mecânico foi, então, novamente procurado pelos criminosos. Ele foi coagido a receber o dinheiro da extorsão, que foi transferido para a chave Pix da sua esposa. A próxima exigência dos PM’s era que o mecânico sacasse o dinheiro e entregasse a eles em um local combinado.

Foi nesse momento que o mecânico resolveu agir. Ele denunciou todos os crimes que havia testemunhado e foi orientado a entregar o dinheiro para os criminosos. O soldado Jaime foi o único a comparecer no local combinado e foi preso em flagrante. Os demais envolvidos ainda tentaram, através dos seus advogados, coagir o mecânico a retirar a denúncia contra eles, mas também acabaram autuados.

Os soldados Jaime e Paulo receberam as maiores penas: 22 anos e quatro meses de prisão. O cabo Miguel recebeu uma pena um pouco menor, de 22 anos. Já o sargento Rodrigo deverá cumprir 11 anos, 11 meses e 15 dias de detenção.

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Amaury Nogueira
Amaury da Silva Nogueira é bacharelando em Letras/Edição pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Apaixonado pelo universo da escrita, atua há dois anos como redator e realiza pesquisas sobre história da edição no Brasil. Além disso, atualmente pesquisa também sobre direitos e benefícios sociais para agregar conhecimento na redação do portal de notícias FDR.