Salário Mínimo ideal deveria ser de R$ 5.997,14, mostra pesquisa

A última edição da Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos realizada pelo Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese) e divulgada nesta segunda-feira, 7, mostrou que o salário mínimo ideal para janeiro de 2022 deveria ter sido de R$ 5.997,14.

Salário Mínimo ideal deveria ser de R$ 5.997,14, mostra pesquisa
Salário Mínimo ideal deveria ser de R$ 5.997,14, mostra pesquisa. (Imagem: FDR)

O salário mínimo ideal é 4,95 vezes maior do que o piso nacional vigente, de R$ 1.212. A remuneração oficial de 2022 foi reajustada, como de costume, baseada no Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que em 2021, fechou em 10,06%.

Nota-se que o salário foi atualizado sem que o trabalhador tivesse um ganho real. Em outras palavras, lhe foi retirado o poder de compra. Para chegar ao valor do salário mínimo ideal para janeiro deste ano, o Dieese considera a média mínima necessária para suprir todas as despesas que o trabalhador pode ter.

Neste mesmo sentido, foi considerado o cenário onde vive uma família composta por quatro pessoas, sendo dois adultos e duas crianças. Os gastos observados consistem em alimentação, moradia, educação, higiene, saúde, vestuário, transporte, lazer e previdência.

É importante explicar que o salário mínimo ideal na quantia de R$ 5.997,14 foi estabelecido a partir do preço da cesta básica mais cara do Brasil, que no mês passado foi a de São Paulo, a um custo de R$ 713,86. Em dezembro de 2021, por exemplo, quando o piso nacional ainda era R$ 1.100, o cálculo referente à remuneração ideal chegou a R$ 5.800,98.

Na oportunidade, o Dieese destacou que, “o trabalhador remunerado pelo piso nacional comprometeu em média, em janeiro de 2022, mais da metade (55,20%) do rendimento para adquirir os produtos alimentícios básicos, mesmo com o reajuste de 10,18% dado ao salário mínimo“.

O Dieese também aproveitou para informar sobre o aumento da cesta básica em 16 das 17 capitais no mês de janeiro. Ressaltando que essas são as localidades que já costumam participar da pesquisa mensal feita pela entidade.

Desta forma, notou-se que as maiores altas aconteceram em Brasília – 6,36%, Aracaju – 6,23%, João Pessoa – 5,45%, Fortaleza – 4,89% e Goiânia – 4,63%. A capital paulista foi nitidamente a cidade com a cesta básica mais cara, onde a cobrança chegou a R$ 713,86.

Em segundo lugar veio Florianópolis, cobrando R$ 695,59. Na sequência está o Rio de Janeiro, onde os consumidores locais pagam em média R$ 692,83 pelo kit. Nos últimos lugares estão Vitória e Porto Alegre, onde a cesta básica custa R$ 677,54 e R$ 673,00, respectivamente.

No período de 12 meses, as maiores altas acumuladas ocorreram em Natal a 21,25%, Recife a 14,52%, João Pessoa a 14,15% e Campo Grande a 14,08%. Em contrapartida, a cesta básica apresentou as menores variações se tratando do comparativo anual nas cidades de Florianópolis a 6,70% e Belo Horizonte a 6,85%.

Diante do valor da cesta básica mais cara em janeiro de 2022, que foi a de São Paulo por R$ 713,86, nota-se que a cobrança equivale a mais da metade do salário mínimo vigente, atualizado para R$ 1.212. Assim, sobra apenas R$ 498,14 para o trabalhador suprir todas as outras despesas básicas de casa, quantia nitidamente insuficiente.

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Laura Alvarenga
Laura Alvarenga é graduada em Jornalismo pelo Centro Universitário do Triângulo em Uberlândia - MG. Iniciou a carreira na área de assessoria de comunicação, passou alguns anos trabalhando em pequenos jornais impressos locais e agora se empenha na carreira do jornalismo online através do portal FDR, onde pesquisa e produz conteúdo sobre economia, direitos sociais e finanças.