Estabelecimentos comerciais voltam a se preocupar com a pandemia

Pontos-chave
  • Estabelecimentos comerciais são os mais afetados pela chegada da ômicron;
  • Setores de alimentação e turismo sofrem com a queda drástica no funcionamento e faturamento;
  • Empresários alimentam esperanças de um futuro próximo mais estável com o avanço da vacinação.

A situação da pandemia da Covid-19 tem se agravado novamente com a disseminação de infecções provocadas pela nova variante, a ômicron. Embora seus efeitos não sejam tão fortes na contaminação, ao que tudo indica, o impacto final tem atingido os estabelecimentos comerciais.

Isso porque, com a enorme quantidade de brasileiros contaminados, sobretudo trabalhadores, a mão de obra tem ficado cada vez mais escassa nas lojas, restaurantes e até mesmo em hospitais. Enquanto isso, os empresários precisam se adequar ao novo cenário e tentar ter jogo de cintura para não se deixar levar pelo caos atual. 

É o caso da empresária, Ana Cláudia Soares, que há um ano cogita fechar o restaurante que já se consolidou como um ponto tradicional após 60 anos no setor de alimentação. Situado na região central de Manaus, capital amazonense, o restaurante estava em um dos epicentros da pandemia da Covid-19 no Brasil há 12 meses atrás.

Na época, a cidade sofria com a falta de balões de oxigênio nos hospitais enquanto milhares de pessoas morriam contaminadas pela Covid-19 enquanto aguardavam por um leito na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) para dar início ao tratamento. Mas não para por aí, o Bar do Armando, também é um dos restaurantes mais famosos de Manaus. 

Em determinados momentos, o bar foi palco de eventos históricos, como a fuga de funcionários públicos da Polícia Militar durante a Greve de Fome no ano de 1993.

Apesar de ter feito parte de situações marcantes no passado, o presente não é muito diferente, pois hoje está sob a ameaça de uma nova onda da pandemia da Covid-19 que tem prejudicado esse e tantos outros estabelecimentos comerciais

Relatos empresariais 

Ana Cláudia, a proprietária do restaurante no centro de Manaus contou que viveu na incerteza sobre o abre e fecha do estabelecimento durante um período de oito meses em 2021. Este não é um tipo de situação nada favorável para um negócio, especialmente diante da necessidade de reduzir a capacidade de lotação ou até mesmo trabalhar de portas fechadas, apenas com delivery ou take away.

A principal dificuldade desses estabelecimentos comerciais é que, mesmo diante da adequação na estrutura de trabalho, as despesas não cessam nem diminuem. É o caso de contas como aluguel, energia, água, insumos, etc. Na oportunidade, Ana Cláudia disse que o restaurante teve uma boa recuperação após o mês de julho.

“Mas em janeiro [de 2022] a situação começou a piorar por causa da [variante] ômicron. Em toda a nossa história, o mês de janeiro só não foi pior que o ano passado”, relatou a empresária.

Comparação de cenários

No mês de janeiro de 2021, o portal IG mostrou em seu site os relatos de empresários diferentes. Na época eles ressaltaram a gravidade da pandemia da Covid-19.

Na região manauara, a falta de oxigênio afetou os estabelecimentos comerciais que durante tempos precisou encerrar o funcionamento mais cedo como uma medida de prevenção à disseminação da pandemia da Covid-19 devido às aglomerações comumente causadas em horários de pico. 

Durante muito tempo os restaurantes também foram obrigados a trabalhar no sistema de delivery. “Foram meses bem intensos. Acho que os únicos que se sentiram menos a crise que passamos foram as farmácias e os supermercados”, afirmou um dos empresários.

Hoje, questionada sobre os impactos da variante ômicron e a queda que ela causou no movimento dos estabelecimentos comerciais, a empresária Ana Cláudia afirma que se trata de uma situação bastante preocupante. Ela ainda disse que no setor em que trabalha, há um receio ainda maior do funcionamento, lucro e demais funcionalidades reduzirem ainda mais. 

Esperança de melhorias

Proprietária de hotéis e de uma agência de viagem em Manaus, Cláudia Mendonça, conta que o melhor momento para ambos os negócios foi no segundo semestre de 2021, com o avanço da campanha de vacinação da Covid-19.

Vale lembrar que estes foram os setores mais afetados pela crise sanitária do novo coronavírus que restringiu drasticamente a transição de turistas entre municípios, estados e países. 

“Tivemos que reconstruir e repensar todos os nossos negócios. Para quem mexe com setor de turismo, imagina o quanto foi impactado? Basicamente ficamos parados o ano todo. Ainda bem que passamos pela pior fase, mas a Ômicron travou temporariamente nossa retomada do equilíbrio”, declarou. 

A empresária tinha a expectativa de manter o crescimento nos negócios no início deste ano, devido ao período de férias escolares, quando a demanda de pacotes de viagens para os estados tende a aumentar. Por outro lado, os planos foram novamente adiados pela chegada da variante ômicron.

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Laura Alvarenga
Laura Alvarenga é graduada em Jornalismo pelo Centro Universitário do Triângulo em Uberlândia - MG. Iniciou a carreira na área de assessoria de comunicação, passou alguns anos trabalhando em pequenos jornais impressos locais e agora se empenha na carreira do jornalismo online através do portal FDR, onde pesquisa e produz conteúdo sobre economia, direitos sociais e finanças.