Salário mínimo NÃO acompanha inflação; como brasileiro vai sentir os impactos?

Pontos-chave
  • O aumento do salário mínimo foi dado pelo governo no fim de dezembro;
  • Apesar disso, o valor atual não é o mesmo da inflação do ano de 2020;
  • Com isso, o poder de compra do brasileiro não foi reposto.

O aumento realizado pelo governo no salário mínimo foi de 5,26% do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC). Passando o valor de R$1.045 para R$1.100, porém, o valor não repõe a inflação do ano passado. Isso causa impactos sobre os brasileiros.

Salário mínimo NÃO acompanha inflação; como brasileiro vai sentir os impactos?
Salário mínimo NÃO acompanha inflação; como brasileiro vai sentir os impactos? (Foto: Google)

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que é usado para fazer a correção do mínimo, acumulou uma alta de 5,45% no ano de 2020.

Por conta disso, para que não haja perda do poder de compra o valor do salário mínimo precisaria ser reajustado para R$ 1.101,95 em 2021.

Segundo informações do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), o salário mínimo é usado como base para cerca de 49 milhões de trabalhadores no Brasil.

Salário mínimo NÃO acompanha inflação; como brasileiro vai sentir os impactos?
Salário mínimo NÃO acompanha inflação; como brasileiro vai sentir os impactos? (Foto:Google)

Sem aumento 

A área econômica tem uma política para o salário mínimo que prevê que a correção seja feita somente pela inflação, com base na estimativa do INPC, sendo assim não há “ganho real”, que aconteceria se o reajuste fosse acima da inflação.

O formato já tinha sido adotado no ano passado, que foi o primeiro da gestão do presidente Jair Bolsonaro, em que o piso sofreu reajuste somente com base na inflação de 2019.

Após isso, o governo fez mudanças na política de aumento real, uma proposta feita pela presidente Dilma Rousseff e aprovada pelo Congresso.

Nos anos de 2017 e 2018, foi concedido o reajuste somente com base na inflação, pois o PIB dos anos anteriores, que eram 2015 e 2016, sofreram retração. Sendo assim, para cumprir a fórmula proposta, somente a inflação serviu de base para o aumento.

O que os brasileiros conseguem comprar com o atual salário mínimo?

Tendo como base a pesquisa realizada pelo Procon-PE sobre os produtos da cesta básica no mês de dezembro, veja quais itens podem ser comprados com o novo valor do salário mínimo:

  • 16 kg de arroz- preço em média de R$4,96
  • 8 kg de feijão- preço em média de R$6,67
  • 20 kg de açúcar cristal- preço em média de R$2,69
  • 4 bandejas com 30 ovos cada – preço em média de R$13,05
  • 6 óleos de soja 900 ml – preço em média de R$8,60
  • 2,7 kg de alho – preço em média de R$19,90
  • 44,7 pacotes de fubá de 500 gramas – preço em média de R$1,23
  • 10 pacotes de leite em pó integral de 500 gramas – preço em média de R$5,44.
  • 25 pacotes de macarrão espaguete 500 gramas – preço em média de R$2,20
  • 1,6 kg de charque de segunda — preço em média de R$32,62
  • 2,2 kg de carne bovina de segunda – preço em média de R$24,27
  • 6,5 kg de frango inteiro – preço em média de R$8,43
  • 5,5 kg de salsicha avulsa- preço em média de R$9,93
  • 16 pacotes com quatro rolos de papel higiênico- preço em média de R$3,32.

A cesta básica reúne os alimentos necessários para as refeições de uma pessoa adulta. No ano passado, boa parte dos produtos que fazem parte dela teve uma elevação de preços em todo o país.

Variação

No mês de dezembro, em São Paulo a cesta chegou a custar R$631,46, o preço médio mais caro que foi registrado no país. 

Em Aracaju, foi encontrado o preço mais baixo entre as capitais, no mês de dezembro, o preço chegou a R$453,13.

O valor correspondeu a cerca de 53,45% do salário mínimo bruto vigente, que era de R$1.045. Foi o maior percentual observado desde 2008, quando o preço da cesta chegou a 57,68% do salário mínimo naquele ano.

Neste período o Dieese considera o valor do salário líquido, o preço da cesta em São Paulo passa para 65,33% do salário mínimo.

Levando em conta a cesta básica, o órgão estimou que o salário mínimo deveria ser equivalente R$5.304,90, ou seja, 5,08 vezes maior que o valor vigente. 

Esse cálculo é realizado levando em consideração uma família de quatro pessoas, com dois adultos e duas crianças.

Aumento no salário mínimo 

Caso seja concedido um reajuste maior, o governo federal vai gastar mais, já que os benefícios previdenciários não podem ser menores que o valor do salário mínimo.

Segundo os cálculos do governo, a cada R$ 1 de aumento do salário mínimo é criada uma despesa de R$ 343 milhões. Porém, se alta for de R$ 2 a mais representaria uma despesa de R$ 680 milhões neste ano.

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Jheniffer Freitas
Jheniffer Aparecida Corrêa Freitas é formada em Jornalismo pela Universidade de Mogi das Cruzes. Atuou como assessora de imprensa da Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo e da Secretarial Estadual da Saúde de São Paulo. Há dois anos é redatora do portal FDR, onde acumula bastante experiência em produção de notícias sobre economia popular e finanças.