Embora o preço nas refinarias neste ano tenha caído pela metade em algumas regiões, o desconto nos combustíveis não chega ao consumidor final. Entenda como é formado o preço do seu combustível.

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Apesar da redução do valor dos combustíveis, saiba porque o desconto não chega no SEU bolso!
Apesar da redução do valor dos combustíveis, saiba porque o desconto não chega no SEU bolso! (Imagem: Reprodução Google)
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No mercado internacional, o preço do barril de petróleo está em queda a meses. O que começou com uma grande jogada de alguns grandes produtores, parece ter criado uma desvalorização muito maior e difícil de ser controlada.

Como começou a queda no preço do petróleo

Como o petróleo é um dos produtos mais importante para todas as economias mundiais, as grandes produtoras tem o poder de controlar o preço e a produção mundial.

No início do ano, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) liderada não oficialmente pela Arábia Saudita começou uma grande disputa com o mercado Russo.

Após um desentendimento entre os países sobre o futuro dos preços, as duas nação iniciaram uma guerra de preços que derrubou o preço do petróleo ao menor nível em 30 anos.

As grandes produtoras fazem isso pois com o produto mais barato, as petrolíferas menores vão ter mais dificuldade em continuar extraindo, já que o lucro será proporcionalmente menor.

O que agravou ainda mais essa queda inicial foi o efeito do coronavírus, muito maior do que o imaginado a crise diminuiu a procura por combustíveis e consecutivamente os preços.

Com tantos países aderindo ao isolamento social e até ao lockdown, isolamento social mais rígido, as vendas de combustível foram reduzidas drasticamente.

No Brasil, a Petrobras vem respondendo à essa queda reduzindo muito o preço da gasolina nas refinarias. Em algumas regiões, o valor já é metade do cobrado em 2019.

Porém os consumidores finais não têm percebido uma queda tão bruscas nas bombas e nos fretes.

Redução não chega até os brasileiros

As Pesquisas de Preço da Agência Nacional de Petróleo, mostraram que mesmo com uma redução média de 50,1% nas refinarias, o valor para o consumidor caiu em média 15% em 2020.

Um dos motivos para esse represamento nos preços pode ser a queda na vendas. Muitos postos ainda tem muito combustível que foi comprado com os preço antigos, assim as quedas vão surtindo efeitos ao poucos.

Outro fator pode ser a composição dos preços, que segundo a própria Petrobras tem altos custos de impostos, distribuição e revenda. Confira como é composto o valor da gasolina que você paga:

Composição do preço do combustível. (Fonte: Petrobras)

A estrutura do ICMS, maior custo do combustível, também prejudica no repasse do desconto. Uma vez que o imposto tem regras de incidência de acordo com o preço médio para o consumidor, ou seja, não depende diretamente do valor bruto do combustível.

Como o imposto é Estadual, as regras também podem variar, o que vai criar preços diferentes chegando nas bombas de cada estado.

Por fim, outro fator que dificulta ao postos diminuir o preço da gasolina é a queda nas vendas, fruto da atual crise do coronavírus.

Com um volume de venda menor, custos operacionais como funcionários, planta etc, acabam pesando mais nos preços de litro de combustível vendido.

Dificuldades no setor de combustíveis

Mesmo podendo aumentar as margens na venda, muitos postos já estão falando de uma forte crise no setor, a rede Ipiranga por exemplo anunciou uma queda de 63% no volume geral de venda de gasolina.

Com tantos fatores contrabalanceando a queda nos preços, fica claro o motivo do desconto não chegar ao consumidores finais.

Mesmo assim, o valor da gasolina nas bombas pode continuar caindo conforme os postos vão trocando o estoque.

Já existem também propostas de mudança no ICMS por parte do governo federal, o que pode ajudar ainda mais na queda de preços na hora de abastecer.

Se o cenário de queda permanecer por muito mais tempo, a Petrobras é que pode enfrentar problemas. A estatal já anunciou diminuição nos investimentos e cortes de custos.

Segundo a empresa, a crise pode ser a pior do últimos 100 anos, e para enfrentá-la serão necessários cortes de produção e negociação com fornecedores.

Sandro Messa possui bacharelado em Ciências e Humanidades e Ciências Econômicas pela Universidade Federal do ABC (UFABC). No mercado de trabalho, tem passagem pelo Banco Mercantil do Brasil, como gerente de relacionamento. Atuou também como assessor de investimentos no Itaú Personnalité e na XP Investimentos. Atualmente, trabalha como Consultor Financeiro e dedica-se à redação do portal FDR.