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Com o crescente números de casos e óbitos da Covid-19, mesmo durante o isolamento social, muitas cidades começaram a estudar o lockdown. Saiba tudo que pode mudar com as determinações.

O que significa lockdown e como a medida poderá fragilizar ainda mais a economia
O que significa ‘lockdown’ e como a medida poderá fragilizar ainda mais a economia (Imagem: Reprodução Google)
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Cidades brasileiras que já decretaram lockdown

Até o momento, já são 18 cidades em 5 estados brasileiros que decretaram a medida. O novo ministro da saúde também declarou que a medida será importante para as regiões mais afetadas pelo vírus.

Três capitais brasileiras (São Luís-MA, Belém-PA e Fortaleza-CE) também já estão fechadas. Na segunda-feira Salvador-BA entrará no grupo, com isso serão pelo menos 9 milhões de brasileiros vivendo em cidades isoladas.

Como funciona o lockdown

A medida pode ter muitas diferenças para cada lugar em que é determinada. Por definição o lockdown é o fechamento completo da cidade, com exceção dos serviços essenciais. Existem várias medidas que podem fazer parte do lockdown:

  • Fechamento das rodovias de acesso à cidade;
  • Proibição da circulação de pessoas, exceto em casos urgentes;
  • Patrulhamento de ruas e avenidas para monitorar circulação.

É importante entender que o lockdown difere bastante de outras medidas como o isolamento social e a quarentena.

  • Isolamento social: é indicado para as pessoas que fiquem casa o máximo possível.
  • Quarentena: decisão oficial para o isolamento de pessoas e grupos, isolamento de infectados por exemplo;
  • Lockdown: Isolamento completo das cidades e estradas de acesso, podendo incluir multas e penalidades para quem estiver em circulação.

O lockdown é efetivo como medida de combate à transmissão do coronavírus?

Como todas as outras medidas, o resultado obtido pode variar muito. Dependendo principalmente de como é aplicado e de como a população se engaja para realmente cumprir as medidas.

No entanto, pode demorar alguns dias até que o lockdown faça algum efeito. Os últimos estudos do Núcleo de Operações e Inteligência em Saúde (NOIS), integrado por departamentos da PUC-Rio e FIOCRUZ, mostram que as medidas podem demorar de 8 a 11 dias para surtirem efeitos.

Porém se analisarmos casos de outros países podemos ao menos ter uma ideia de como a medida pode ser eficaz.

Um número que tem sido muito utilizado por países e em estudos, é o tempo necessário para o número de infectados dobrar. 

Na Itália, quando o lockdown foi decretado, 08 de março, o número de casos dobrava a cada 3 dias, 10 dias após a medida esse número já subiu para 7 dias, uma aumento de 133% no tempo necessário para o número de casos dobrar.

País Decreto de lockdown Tempo para dobrar casos (antes do lockdown) Tempo para dobrar casos (10 dias depois do lockdown)
Itália 08/03 3 dias 7 dias
Espanha 14/03 2 dias 13 dias
Alemanha 22/03 4 dias 25 dias

Fonte: Our World in Data

Baseado na experiência destes 3 países, a medida pode sim ser efetiva, mas o resultado deve variar de acordo com cada população.

Qual o efeito do lockdown na economia?

Os efeitos mais negativos da medida serão sobre o comércio. Este setor é tão importante para a economia que em 2018 foi responsável por 73% do PIB, segundo o IBGE.

Há de se esperar uma diminuição ainda maior no faturamento do comércio, principalmente para aqueles não ligados aos serviços essenciais.

Por outro lado, é importante lembrar que a queda não é fruto apenas das medidas do isolamento em si, ou seja, mesmo sem o lockdown é difícil imaginar que as pessoas continuariam a consumir e circular da mesma maneira.

Por isso a importância de se adaptar cada negócio à nova realidade. Mesmo que isto não seja possível para 100% dos casos, é importante que os comerciantes e lojistas busquem maneiras de adaptar seus negócios ao ambiente digital, já que mesmo após o fim das medidas de isolamento, as vendas na loja física podem demorar muito tempo para retornar aos antigos patamares.

COMENTÁRIOS

Sandro Campos possui bacharelado em Ciências e Humanidades e Ciências Econômicas pela Universidade Federal do ABC (UFABC). No mercado de trabalho, tem passagem pelo Banco Mercantil do Brasil, como gerente de relacionamento. Atuou também como assessor de investimentos no Itaú Personnalité e na XP Investimentos. Atualmente, trabalha como  Consultor Financeiro e dedica-se à redação do portal FDR.