No início de 2020, o total de Microempreendedores Individuais (MEI) já somava mais de 9,4 milhões de brasileiros, esse número representa apenas aqueles que formalizaram a sua cidadania empresarial.

MEI
Microempreendedores Formais. (Fonte: Sebrae)

Esse número reflete o desejo de muitos brasileiros de terem seu próprio negócio, mas também mostra os sinais da falta de estabilidade e oportunidades nas carreiras tradicionais.

Essa população, que em grande parte montou seu negócio para fugir do desemprego, agora enfrenta um novo obstáculo: a crise causada pelo Covid-19.

Durante a pandemia do novo coronavírus, o faturamento tende a ser muito abaixo do necessário para estas empresas, os empreendedores que atuam nas áreas mais afetadas já percebem a queda na demanda por pedidos.

A gravidade do impacto para quem é MEI vai depender de alguns fatores:

  • Custos fixos, liquidez de caixa (reserva de dinheiro)
  • Modelo de negócio
  • Área de atuação

Custos fixos para MEI

Com um negócio mais enxuto, sem funcionários e com pouca ou nenhuma planta física,  quem é MEI pode ter custos muito mais baixos do que as empresas maiores.

A única obrigação para quem não tem custos fixos, seria o pagamento mensal do DAS-MEI, o valor fica entre R$ 53,25 e R$ 58,25 e pode ser consultado no Portal do Empreendedor.

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Para quem tem um negócio com custos mais baixos, buscar um faturamento mínimo pode garantir a renda necessária para atravessar o momento difícil e manter a microempresa funcionando.

Aqueles que têm obrigações financeiras mensais, estão em uma situação mais complicada. Aluguel, equipamentos e materiais são exemplos de custos que obrigam o MEI a ter um faturamento mínimo antes de poder tirar alguma renda do negócio.

Liquidez de Caixa

As microempresas, principalmente aquelas criadas por uma necessidade financeira, provavelmente ainda não têm um caixa financeiro, por isso são as mais vulneráveis nesses períodos de crise.

A última edição da pesquisa “Perfil MEI”, realizada pelo Sebrae, nos mostra que 33% dos MEIs, abriram o negócio porque precisavam de uma renda, para quem tem mais de 50 anos, esse percentual é de 42%. O negócio é a única renda de 78% dos entrevistados, e para 28% é a única fonte de renda da família.

Esses dados têm um significado claro, para essas pessoas não existe geração de caixa, porque todos os recursos recebidos serão destinados para o sustento da sua família, os efeitos da epidemia para essas pessoas serão muito piores.

Área de atuação do MEI

A maioria dos microempreendedores trabalham com vendas ou prestação de serviços, essas áreas serão fortemente afetadas pela crise atual, porque dependem da demanda dos pedidos e dos clientes.

Dependendo da atuação do MEI o serviço pode ser feito à distância, ou no caso dos produtos, podem ser vendidos pela internet e redes sociais, mas em muitos casos isso não é possível.

A utilização das redes sociais pode ajudar alguns empreendedores a manter uma parte do faturamento, para isso é importante que nos próximos dias, quem ainda não tem um modelo de atuação online, procure se adaptar à nova realidade o mais rápido possível.

MEI
Áreas de atuação mais comuns entre os Microempreendedores (Fonte: Sebrae)

Atividades de Cabeleireiro, Manicure e Pedicure, Estética e principalmente de Vendedores Ambulantes estão entre as mais comuns entre os Microempreendedores e ficam quase totalmente paralisadas com o isolamento social.

Os MEI sobreviverão à crise?

Todos os fatores que elencamos até aqui vão definir quais negócios têm mais ou menos chances de sobreviver à epidemia do novo coronavírus, mas de maneira geral é certo que será um período de dificuldades para os microempreendedores.

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Uma parcela significativa dos Microempreendedores ainda têm o agravante de fazer parte do grupo de risco para a Covid-19. Piorando o estimativa de faturamento no período de quarentena e obrigando o MEI a escolher entre a saúde ou o salário.

Distribuição das Faixas Etárias. (Fonte: Sebrae)

As medidas anunciadas recentemente pelo governo, voucher de R$ 200,00 para os autônomos e a ampliação do crédito no BNDES, têm a intenção de diminuir esses impactos.

Comparando as incentivos públicos apresentados com os dados do Sebrae, fica claro que esses valores não serão suficientes para garantir a segurança financeira do empreendedores, principalmente nos casos em que a única fonte de renda da família é o negócio que será interrompido durante a quarentena.

Sandro Campos possui bacharelado em Ciências e Humanidades e Ciências Econômicas pela Universidade Federal do ABC (UFABC). No mercado de trabalho, tem passagem pelo Banco Mercantil do Brasil, como gerente de relacionamento. Atuou também como assessor de investimentos no Itaú Personnalité e na XP Investimentos. Atualmente, trabalha como  Consultor Financeiro e dedica-se à redação do portal FDR.