De acordo com especialistas, a privatização da Petrobras não abaixaria os preços dos combustíveis. O assunto tem gerado questionamentos após a divulgação de comentários de conversa entre o presidente Jair Bolsonaro (PL) e Adriano Pires, novo diretor da Petrobras, em que o chefe do executivo afirma pretender privatizar a empresa.
Caso seja reeleito, Bolsonaro tem a intenção de privatizar a estatal e com o assunto vindo a público muitas foram as especulações quanto ao impacto nos preços dos combustíveis e se a ação resultaria em uma possível queda dos valores.
Privatização não é a solução
Segundo o UOL, especialistas de diversas áreas foram ouvidos e garantiram que a privatização não contribui para a diminuição dos preços dos combustíveis, existindo ainda a chance da atitude gerar novos aumentos.
Virgínia Parente, do Instituto de Energia e Ambiente da Universidade de São Paulo, afirma que privatizar a Petrobras apenas garante ao governo a isenção da responsabilidade de resolver a questão. Ao invés disso, Parente sugere a implementação de um fundo de estabilização dos preços como uma possível saída, a alternativa já vem sendo discutida e inclusive foi aprovada no Senado em março.
O projeto da estabilização recebeu o apoio do presidente da Petrobras, Adriano Pires, que se mostrou a favor, já o Ministro da Economia, Paulo Guedes, se colocou contra à medida.
Para Eustáquio de Castro, professor do Departamento de Química da Universidade Federal do Espírito Santo, em alguns países como é o caso da França e Noruega, as empresas responsáveis pela produção e refino do petróleo são estatais, o que garante que o governo tenha algum controle dos preços.
O especialista diz que existem diversas maneiras de tentar solucionar o problema atual da alta dos preços dos combustíveis, e cita a redução da margem de lucro da Petrobras como uma delas, ou mesmo a revogação da política de preços da empresa, instituída no governo Temer, e a utilização da União como meio de subsídio aos combustíveis.
O recente aumento no preço dos combustíveis representa uma porcentagem de 8% na gasolina, chegando a 19% no diesel.
O artigo contém informações do UOL.