O debate sobre uma nova Reforma da Previdência voltou à tona no Brasil, sete anos depois da última grande mudança nas regras de aposentadoria.
Desta vez, um dos pontos que mais chamam atenção é uma proposta que atinge diretamente o microempreendedor individual:
- a ideia de mais que dobrar a alíquota de contribuição do MEI ao INSS, saltando dos atuais 5% para 11% do salário mínimo.
Antes de tudo, é importante deixar claro o estágio dessa discussão. Não se trata de uma mudança aprovada, nem de um projeto em votação no Congresso.
Mulheres entre 59 e 60 anos entram na mira de atualização nas regras do INSS
CONFIRA AS REGRAS →
As sugestões partem de estudos elaborados por especialistas ligados ao Centro de Debate de Políticas Públicas (CDPP) e ao Instituto Mobilidade e Desenvolvimento Social (IMDS).
Ou seja, são propostas técnicas em discussão, que ainda precisariam de um longo caminho político para eventualmente virarem lei.
O que mudaria para o microempreendedor?
Hoje, o MEI conta com uma alíquota reduzida de 5% sobre o salário mínimo para recolher ao INSS.
Esse valor menor é justamente um dos atrativos do modelo e garante ao microempreendedor acesso a benefícios importantes, como aposentadoria por idade, auxílio-doença e salário-maternidade.
A proposta dos pesquisadores é elevar esse percentual para 11%, aproximando a contribuição do MEI da alíquota paga por outros segurados da Previdência.
Isso significaria mais que dobrar o valor mensal desembolsado por milhões de pequenos empreendedores só na parte destinada ao INSS.
O argumento apresentado nos estudos é que os 5% atuais seriam insuficientes para sustentar o sistema previdenciário no longo prazo.
Idade mínima também está no alvo dos estudos
O aumento da contribuição do MEI não é a única sugestão sobre a mesa.
Os estudos também defendem uma elevação gradual da idade mínima de aposentadoria, que passaria a ser atrelada à evolução da expectativa de vida da população brasileira, medida pelo IBGE.
Segundo a estimativa dos especialistas, o limite poderia chegar a 67 anos no futuro.
Para efeito de comparação, vale lembrar como está a regra atual.
Depois da reforma de 2019, a idade mínima é de 65 anos para homens e 62 anos para mulheres, ainda que a idade média real de aposentadoria gire em torno de 61 anos, por causa das regras de transição ainda em vigor.
O argumento por trás das propostas
A justificativa central dos pesquisadores é o envelhecimento acelerado da população brasileira.
A combinação de duas tendências, o aumento da expectativa de vida e a queda da taxa de natalidade, reduziria a proporção de trabalhadores ativos contribuindo para sustentar um número cada vez maior de aposentados.
Esse desequilíbrio, segundo os estudos, tende a pressionar as contas da Previdência nas próximas décadas.
É esse diagnóstico que embasa o pacote de sugestões, na visão de quem elaborou os estudos.
A lógica é que ajustes feitos agora aliviariam a pressão futura sobre o sistema, ainda que ao custo de exigir mais dos contribuintes ao longo do tempo.
As outras mudanças sugeridas
Além do aumento da alíquota do MEI e da nova idade mínima, os estudos trazem uma lista de outras propostas que ajudam a entender a amplitude do debate:
- Bônus na aposentadoria para mulheres com filhos, como forma de reconhecer o impacto da maternidade na trajetória contributiva.
- Revisão das aposentadorias especiais, categoria que hoje contempla trabalhadores expostos a condições específicas.
- Mudanças no reajuste de benefícios atrelados ao salário mínimo.
- Criação de um modelo previdenciário misto, que combinaria o INSS tradicional com contas individuais de capitalização.
O que o MEI deve fazer agora?
O recado mais importante para quem é microempreendedor é não entrar em pânico. Nada mudou até o momento, e a alíquota de 5% segue valendo normalmente.
As propostas são um ponto de partida para o debate público, e qualquer alteração dependeria de projeto de lei, tramitação e aprovação, um processo que costuma ser demorado e cheio de idas e vindas.
Ainda assim, vale a pena acompanhar o assunto de perto.
Mudanças na Previdência afetam o planejamento de longo prazo de qualquer trabalhador, e o microempreendedor individual, por depender de uma contribuição específica, é particularmente sensível a esse tipo de ajuste.
Para saber mais e receber notícias em tempo real, entre na nossa comunidade oficial do WhatsApp do FDR clicando aqui.
