A notícia de que uma cientista brasileira da UFRJ desenvolveu uma substância capaz de regenerar movimentos em pacientes com lesão medular trouxe um sopro de esperança para milhões de famílias. Mas, afinal, em que pé está a disponibilidade desse tratamento?

O tratamento já pode ser usado por qualquer pessoa?
A resposta curta é: ainda não. Embora os resultados experimentais sejam revolucionários, o tratamento — baseado na proteína Polilaminina — ainda não está disponível nas farmácias ou em todos os hospitais do SUS para o público geral.
Ele está em uma fase crucial de transição do laboratório para a prática médica regulamentada.
O tratamento usando a Polilaminina foi desenvolvido pela cientista Tatiana Sampaio após um período de pelo menos 25 anos de estudos nos laboratórios da UFRJ. Os testes em humanos já foram feitos e trouxeram resultados surpreendentes.
A Aprovação da Anvisa para o tratamento
Em 5 de janeiro de 2026, houve um avanço histórico. A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) deu sinal verde para o início dos estudos clínicos de Fase 1 em humanos no Brasil.
O que isso significa? Significa que o medicamento agora será testado de forma controlada e oficial em um grupo de voluntários dentro de hospitais selecionados. É o passo final e obrigatório para que ele receba o registro definitivo e possa ser incorporado ao sistema público de saúde.
Como funciona o tratamento?
A Polilaminina é desenvolvida a partir de uma proteína natural do corpo, a laminina, encontrada principalmente na placenta. Ela funciona como uma “cola biológica” ou um andaime.
Em uma lesão medular as conexões nervosas são interrompidas, a substância é injetada no local da lesão para criar uma ponte física que permite aos neurônios crescerem novamente e atravessarem a área danificada.
O que se sabe até agora (Principais pontos):
- Público-alvo inicial: Os testes autorizados pela Anvisa focam em Trauma Raquimedular Agudo. Ou seja, pacientes que acabaram de sofrer o acidente (lesões recentes).
- Resultados prévios: Em casos isolados autorizados pela justiça ou em caráter experimental, como o do paciente Bruno Drummond, os resultados foram surpreendentes, permitindo o retorno da sensibilidade e da locomoção.
- Fabricação Nacional: O medicamento é fruto de uma parceria entre a UFRJ e o laboratório nacional Cristália, o que deve facilitar a distribuição e reduzir custos quando aprovado.
Quando chegará ao SUS para todos?
O processo de testes clínicos pode levar alguns meses ou anos para garantir a total segurança e eficácia em diferentes perfis de pacientes.
No entanto, por se tratar de uma tecnologia brasileira e de alto interesse social, o Ministério da Saúde tem acompanhado o processo de perto para agilizar a futura incorporação à tabela do SUS assim que os testes forem concluídos.
Conclusão: A cura da tetraplegia e paraplegia deixou de ser ficção científica e tornou-se uma questão de cronograma regulatório. O Brasil está, literalmente, a alguns passos de mudar a história da neurologia mundial.
