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Trabalho 6×1: saiba o que impede a aprovação da mudança e como isso afeta o mercado

Por Lila Cunha
23 de dezembro de 2024
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Neste ano foi aprovado pela Câmara dos Deputados o início da votação da PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que muda a escala de trabalho 6×1. Agora, a sugestão feita pela deputadora Érika Hilton volta a ser discutida em 2025, mas com poucas chances de avanços. 

O texto que propõe o fim da escala 6×1, onde o trabalhador presta serviço por seis dias na semana com direto a uma folga, recebeu votação favorável e por isso avançou na Câmara. Porém, devido a outras pautas mais urgentes a votação acontece em 2025. 

Caso avance entre os deputados e os senadores, a medida também precisa passar pela aprovação do governo federal para que de fato comece a valer. E assim, se for aceita, vai mudar a forma como hoje boa parte dos trabalhadores estão habituados a prestar serviço.

A CLT (Consolidação de Leis Trabalhistas) permite que o funcionário seja contratado com uma jornada de no máximo 44 horas semanais, divididas entre os sete dias da semana. Antes mesmo de ser admitido o trabalhador já deve estar ciente sobre os dias que vai precisar trabalhar. 

Alguns conseguem folga aos finais de semana, mas quem for contratado para trabalhar no setor de comércio, turismo e naqueles considerados essenciais, vai precisar atuar inclusive aos finais de semana. Para não ter que contratar mais pessoas a empresa oferece o trabalho 6×1. 

O que é a escala de trabalho no modelo 6×1?

Muitas pessoas sonham com a escala 5×2, em que se trabalha cinco dias (segunda a sexta-feira) e folgam dois (sábado e domingo). Enquanto na escala 6×1 o trabalhador:

  • presta serviço por seis dias durante a semana, tendo direito a um dia de folga. 

Como foi dito, esse modelo de trabalho em que a folga é garantida em um único dia da semana abrange, principalmente, os setores do comércio, varejista, bares, restaurantes, supermercados, transporte e setor público (ex.: polícia, hospitais, coleta de lixo, e outros).

Isso porque, esses são setores que funcionam todos os dias da semana, ou seja, na escala 7×7. Para os donos de empresas destes ramos é importante ter um quadro de colaboradores que consiga folgar uma única vez trabalhando em um esquema de revezamento. 

Vale lembrar que o Descanso Semanal Remunerado (DSR), ou seja, a folga semanal,  é um direito trabalhista adquirido por todo trabalhador que atua com carteira assinada. 

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O que pode mudar com o fim da escala 6×1?

A admissão com carteira de trabalho assinada dá ao trabalhador uma série de garantias previstas pela CLT, como o salário igual ao piso do país ou categoria. Além do direito as férias, 13º salário e a folga semanal. 

Agora, a medida criada pela deputada Érika Hilton propõe o fim da escala 6×1, substituindo esse modelo por outro em que a carga de trabalho semanal seja menor. 

Dentro da proposta são inseridos pontos de mudança como:

  • acabar com a possibilidade de escalas de 6 dias de trabalho e 1 de descanso, chamada de 6×1;
  • alterar a escala de trabalho para um modelo em que o trabalhador teria três dias de folga, incluindo o fim de semana;
  • o período máximo trabalhado seria de 8 horas por dia e 36 horas semanais;
  • a escala seria de 4×3, com quatro dias de trabalho por semana e 3 dias de descanso;

“[a PEC] reflete um movimento global em direção a modelos de trabalho mais flexíveis aos trabalhadores, reconhecendo a necessidade de adaptação às novas realidades do mercado de trabalho e às demandas por melhor qualidade de vida dos trabalhadores e de seus familiares”, defende Hilton, criadora do projeto.

Alguns economistas têm criticado essa medida, devido ao possível aumento de custos para as empresas. Já foi dada a sugestão nas redes para adotar a escala 5×2 para todos, em que os trabalhadores ganhariam dois dias de folga e não três. 

Escala 6×1 pode ser ruim para o Brasil?

Uma pesquisa feita pelo economista Daniel Duque, do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre), trouxe dados preocupante sobre o fim da jornada de trabalho 6×1. 

A pesquisa chegou a três possíveis cenários:

Cenário otimista

Neste cenário os trabalhadores aumentariam 1% da sua produção devido ao maior tempo de descanso.

  • De 44 para 40 horas semanais trabalhadas: perda econômica seria de 2,06%;
  • De 44 para 36 horas semanais trabalhadas: perda econômica seria de 6,84%.

Cenário pessimista

Hipótese de perda de emprego de 2,5%, e aumento da produtividade de 0,5%.

  • De 44 para 40 horas semanais trabalhadas: perda econômica seria de 3,33% com menos 1 milhão de empregos;
  • De 44 para 36 horas semanais trabalhadas: perda econômica de 8,1% com menos 1,1 milhão de empregos.

Cenário que combina efeitos negativos e positivos

Hipótese de diminuição de empregos, mas aumento da produtividade.

  • De 44 para 40 horas semanais trabalhadas: perda econômica seria de 2,8%
  • De 44 para 36 horas semanais trabalhadas: perda econômica seria de 7,6%.

“Os resultados indicam que, mesmo considerando os potenciais ganhos de produtividade e as perdas de emprego, a redução da jornada de trabalho proposta pela PEC teria um impacto econômico significativo que precisa ser cuidadosamente avaliado”, afirma Duque para o jornal Valor.

 

 

 

Lila Cunha

Lila Cunha

Lila Cunha é formada em jornalismo pela Universidade de Mogi das Cruzes (UMC) desde 2018. Já atuou em jornal impresso. Trabalha com apuração de hard news desde 2019, cobrindo o universo econômico em escala nacional. Especialista na produção de matérias sobre direitos e benefícios sociais.

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