Inflação CAI em julho e tem MENOR resultado da história

Em julho, a inflação oficial do país, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), registrou queda de 0,68%. Esta foi a menor taxa desde o começo da série histórica, iniciada em 1980. Os dados foram divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta terça-feira (9).

Inflação CAI em julho e tem MENOR resultado da história
Inflação CAI em julho e tem MENOR resultado da história (Imagem: Montagem/FDR)

Pela primeira vez nos últimos 26 meses, o país registrou uma deflação — ou seja, uma inflação negativa. No acumulado neste ano, o aumento dos preços ao consumidor chega a 4,77%.

Já nos últimos 12 meses, o IPCA desacelerou para 10,07%. Nos 12 meses imediatamente anteriores, a inflação tinha chegado a 11,89%.

Apesar da deflação apresentada em julho, a inflação anual está acima de dois dígitos por 11 meses consecutivos.

Dos nove grupos de produtos e serviços pesquisados pelo IBGE, dois registraram deflação no sétimo mês do ano. Por outro lado, outros sete tiveram elevação no indicador. Estes foram os resultados:

  • Alimentação e bebidas: 1,30%
  • Despesas pessoais: 1,13%
  • Vestuário: 0,58%
  • Saúde e cuidados pessoais: 0,49%
  • Artigos de residência: 0,12%
  • Comunicação: 0,07%
  • Educação: 0,06%
  • Habitação: -1,05%
  • Transportes: -4,51%

Fatores que influenciaram na queda da inflação em julho

O IPCA de julho foi pressionado, especialmente, pela redução nos preços dos combustíveis — principalmente da gasolina (-15,48%) e etanol (-11,38%) —, além da energia elétrica.

O gerente da pesquisa, Pedro Kislanov, destaca que, em 20 de julho, a Petrobras anunciou uma diminuição de R$ 0,20 no valor médio do combustível vendido para as distribuidoras.

Além disso, o gerente citou a Lei Complementar 194/22, sancionada no fim de junho, que reduziu o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) sobre combustíveis, comunicações e energia elétrica.

Kislanov explica que “essa redução afetou não só o grupo de transportes (-4,51%), mas também o de habitação (-1,05%), por conta da energia elétrica (-5,78%)”. Ele afirma que estes dois grupos — que foram os únicos com redução na taxa — puxaram para baixo o resultado.

Além do corte da alíquota de ICMS, o gerente alega que outro fator que influenciou o recuo no grupo habitação foi a aprovação, pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), das Revisões Tarifárias Extraordinárias de dez distribuidoras pelo país. Isso provocou queda nas tarifas a partir de 13 de julho.

Outro grupo que favoreceu a queda da inflação foi vestuário. Neste caso, houve uma desaceleração de 1,67% para 0,58% — após registrar a maior variação positiva entre os grupos pesquisados nos meses de maio e junho.

O gerente explica que, no fim de junho, existiu “uma queda muito forte no preço do algodão, que é uma das principais matérias-primas da indústria têxtil”.

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Silvio SuehiroSilvio Suehiro
Silvio Suehiro possui formação em Comunicação Social - Jornalismo pela Universidade de Mogi das Cruzes (UMC). Atualmente, dedica-se à produção de textos para as áreas de economia, finanças e investimentos.