Estoque dos SUPERMERCADOS está passando por momento ‘diferente’

Em decorrência da alta inflação e da queda de demanda, os supermercados estão operando com estoques reduzidos e vem tentando equilibrar os pedidos fazendo encomendas apenas da projeção do que realmente será vendido. No entanto, em decorrência disso, a queda de braço está mais acirrada entre os lojistas e a indústria que vem sendo mais criteriosa nos descontos dados a grandes encomendas.

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Os supermercados vem acertando nas projeções. O índice geral de rupturas, ou seja de produtos que faltam nas gôndolas, calculado pela Neogrid, empresa especialista em cadeias de suprimentos, passou por uma leve queda no mês passado ficando em 11%, ante os 11,5% registrado em maio. 

Isto não significa um desabastecimento, mas, sim, de faltas pontuais que acontecem por conta de estoques reduzidos e entregas adiadas.

De acordo com o diretor da Neogrid, Robson Munhoz, o varejo de alimentação está trabalhando com o índice de estoque mais baixo em dois anos. “As varejistas não estão mais comprando por oportunidade, mas sim por necessidade. Diversas indústrias têm limitado os volumes e, por isso, os descontos concedidos têm sido mais criteriosos”, disse ele ao Exame.

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Em sua visão, os varejistas estando começando a aprender como calcular a demanda do prisma do consumidor. “É um ensaio mais apurado sobre o que de fato vende. Estão aprendendo a entender a demanda principalmente pelo uso de tecnologia.”

Na última quinta, 14, o vice-presidente institucional da Abras (Associação Brasileira de Supermercados) Marcio Milan, disse que a entidade vem estimulando os associados a fazer mais negociações com a indústria. A idéia é compreender os aumentos de preços e encontrar determinadas altas sem justificativa. Ele contou que as negociações têm sido mais extensas, exigido mais informações e que isso não é o responsável pelo desabastecimento nos pontos de vendas.

“Não identificamos falta de produtos em razão da maior negociação de supermercados com indústria”, disse ele ao Exame. No entanto, possíveis lacunas no fornecimento podem vir a ocorrer de forma pontual “Ruptura é algo inerente à operação dos supermercados. Em momentos inflacionários, normalmente há uma tendência disso aumentar”, explicou.

Isto acontece pois, por conta desta negociação mais demorada, os estoques acabam caindo e alguns itens ficam em falta até que um acordo seja fechado.

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Paulo Amorim
Paulo Henrique Oliveira é formado em Jornalismo pela Universidade Mogi das Cruzes e em Rádio e TV pela Universidade Bandeirante de São Paulo. Atua como redator do portal FDR, onde já cumula vasta experiência e pesquisas, produzindo matérias sobre economia, finanças e investimentos.