Você já imaginou a taxa Selic chegar em 20%? Para este especialista, isso não seria nenhuma surpresa

A inflação é um problema que não afeta apenas o Brasil, mas o mundo inteiro. Nesse cenário, os bancos centrais elevam as taxas de juros como forma de conter a demanda dos consumidores e, assim, tentar reverter a alta de preços.

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No Brasil, já chegamos a uma taxa Selic a 13,25% ao ano, após dez altas seguidas desde o primeiro semestre de 2021. Enquanto a maioria dos analistas enxergam esse patamar como próximo do limite, o gerente de portfólios para mercados emergentes da Janus Henderson Investors, Ales Koutny, acredita que o pior ainda está por vir e que a Selic pode chegar a 20%.

“Uma Selic de 20% no Brasil não me surpreenderia. Não é meu cenário-base, mas o mercado coloca basicamente zero chance de as taxas de juros subirem mais que 17% ou 18%. Eu diria que há mais ou menos 25% ou 30% de chegarmos entre 18% e 20%”, disse em entrevista recente ao Valor Econômico.

A Janus Henderson é uma companhia americana e britânica que gere mais de 360 bilhões de dólares em ativos espalhados pelo mundo.

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Koutny acredita que o cenário político brasileiro deve ser o principal fator a pressionar a taxa de juros, através da saída de investimento externo e uma valorização do dólar.

“O mercado pode ter uma reação negativa, caso Lula vença as eleições ou se Bolsonaro vencer com uma política mais frouxa de gastos, levando a uma depreciação do real. O Brasil tem bastante reserva de dólares, mas elas podem ser consumidas rapidamente, a depender da força do movimento. Depois disso é só a taxa de juros que resolve.”

Recessão é inevitável?

Para Koutny, a inflação atual é fundamentalmente “de oferta”, causada pela guerra na Ucrânia, os lockdowns na China e outros fatores que estão rompendo cadeias produtivas internacionais. Nesse cenário, os bancos centrais não têm muito o que fazer além de aumentar taxas de juros, o que acabará provocando uma recessão.

“Com certeza haverá uma recessão. A questão é o quão forte e quando ela vai chegar. Normalmente os BCs são otimistas e tendem a passar uma comunicação de que apenas irão esfriar a demanda, sem provocar uma recessão. Mas a situação está tão ruim para o Fed [banco central americano], que ele já admitiu que não será possível.”

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Amaury Nogueira
Amaury da Silva Nogueira é bacharelando em Letras/Edição pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Apaixonado pelo universo da escrita, atua há dois anos como redator e realiza pesquisas sobre história da edição no Brasil. Além disso, atualmente pesquisa também sobre direitos e benefícios sociais para agregar conhecimento na redação do portal de notícias FDR.