Queda nas vendas de botijões de gás podem levar a mudanças no Vale Gás; entenda

Apesar da criação do vale-gás (chamado oficialmente de Auxílio Gás dos Brasileiros), as vendas de botijões têm diminuído em todo o Brasil. Dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANP) mostram que o setor experimentou queda de 5,6% nas vendas dos quatro primeiros meses de 2022.

Para representantes das empresas distribuidoras de gás de cozinha, isso demonstra que o vale-gás não está sendo usado para compra dos botijões. Eles cobram do governo mudanças no benefício, a fim de garantir segurança energética para a população e um alívio para as distribuidoras.

“O recurso tem que ser carimbado para compra de gás. No modelo atual, esse dinheiro vai acabar sendo gasto em outra coisa”, disse à Folha de S. Paulo José Luiz Rocha, presidente da Abragás (Associação Brasileira de Entidades de Classe das Revendas de Gás LP).

O dirigente afirma que as distribuidoras também estão sofrendo com a elevação dos preços do produto. “Na medida em que não conseguem repassar preço, muitos empresários fecham as portas. Ou repassa para sobreviver ou fecha”, afirma.

Aumento de preço e crise

O resultado ruim nas vendas de botijões de gás vem desde 2021, ano que registrou uma redução de 4,2% na quantidade de itens comercializados.

A queda no consumo de gás de cozinha é um reflexo do aumento do preço do item e da queda do poder de compra da maioria dos brasileiros. Entre março de 2020 e março de 2022, o botijão de 13 kg ficou em média 46,6% mais caro, segundo a Petrobras.

A inflação, por sua vez, também vem afetando a população e corroendo o poder de compra dos salários. Nesse cenário, os mais pobres se veem obrigados a procurar alternativas ao gás de cozinha, como lenha e até álcool, produtos que aumentam o risco de acidentes domésticos.

Valor insuficiente

O Auxílio Gás é visto como um benefício importante para ajudar na compra do gás de cozinha e, assim, garantir maior segurança energética aos brasileiros mais pobres.

Seu valor, no entanto, ainda é considerado baixo. Em abril, último mês em que foi pago, os beneficiários receberam uma parcela de R$ 51. Isso corresponde ao preço médio do botijão de 13 kg nos seis meses anteriores, calculado pela ANP. Para piorar, o vale-gás é depositado apenas de dois em dois meses.

O alcance do programa também é muito pequeno. Em abril, foram 5,4 milhões de famílias beneficiadas. Esse número é inferior, inclusive, ao total de famílias que poderiam receber o vale-gás de acordo com os critérios do programa (ter renda per capita de até meio salário mínimo ou um membro com BPC).

Propostas que alteram o vale-gás tramitam atualmente no Congresso. O PL 1.472/2021, por exemplo, que foi aprovado pelo Senado em março, pode dobrar o número de beneficiários.

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Amaury Nogueira
Amaury da Silva Nogueira é bacharelando em Letras/Edição pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Apaixonado pelo universo da escrita, atua há dois anos como redator e realiza pesquisas sobre história da edição no Brasil. Além disso, atualmente pesquisa também sobre direitos e benefícios sociais para agregar conhecimento na redação do portal de notícias FDR.