Com o maior preço do século, gás de cozinha ocupa 10% do salário do trabalhador; entenda

O gás de cozinha continua sendo um dos produtos que mais pesam no bolso do trabalhador e bateu recorde neste mês de abril. De acordo com a ANP, o botijão de 13 kg foi comercializado em média por R$ 113,24 na última semana, o maior valor real da série histórica da agência, que começa em julho de 2001.

O valor também é 3,6% superior ao registrado em março (R$ 109,31) e surpreende, especialmente, porque vem após anúncio de redução no preço do gás distribuído pela Petrobrás aos revendedores. A estatal anunciou no dia 8 de abril diminuição de 5,58% no preço do produto. Conforme especialistas, a mudança demoraria a se refletir para os consumidores, mas a realidade vem se mostrando ainda mais perversa.

Com o valor atual, o gás de cozinha já custa 9,4% do salário mínimo, atualmente em R$ 1.212. Essa estatística é do Observatório Social da Petrobrás, entidade ligada à Federação Nacional dos Petroleiros, que calculou um média mensal para o botijão de R$ 113,48.

Aumento de 63,5%

A última vez em que foi registrada uma proporção tão alta entre o preço do gás de cozinha e o salário mínimo foi em 2007, quando o mínimo era de R$ 380. Desse ano em diante, além de uma valorização real dos salários, também houve congelamento no preço do gás, que durou até 2014.

A tendência se inverte nos anos seguintes, especialmente a partir de 2017, quando o salário deixa de ter aumento real e os derivados de petróleo passam a sofrer reajustes constantes pela Petrobrás, devido à nova política de preços da estatal.

Desde janeiro de 2019, início do governo Bolsonaro, o gás de cozinha já sofreu alta de 63,5%. O preço do produto se manteve num patamar “aceitável” (cerca de R$ 69) até julho de 2020, mas começou a se elevar vertiginosamente desde então.

Vale-gás

Para diminuir o peso do gás de cozinha no orçamento das famílias mais pobres, o governo federal criou um vale-gás (chamado oficialmente de Auxílio Gás dos Brasileiros) em dezembro de 2021. O benefício é pago a cada dois meses para famílias inscritas no CadÚnico com renda per capita de até meio salário e para aqueles com beneficiário do BPC (Benefício de Prestação Continuada).

Seu valor deve corresponder a metade do preço médio do botijão de 13 kg nos últimos seis meses, conforme calculado pela ANP. O valor atual é de R$ 51, apenas 44,5% do preço médio atual.

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Amaury Nogueira
Amaury da Silva Nogueira é bacharelando em Letras/Edição pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Apaixonado pelo universo da escrita, atua há dois anos como redator e realiza pesquisas sobre história da edição no Brasil. Além disso, atualmente pesquisa também sobre direitos e benefícios sociais para agregar conhecimento na redação do portal de notícias FDR.