Com a privatização, vale a pena investir o FGTS nas ações da Eletrobras?

Nesta quarta- (18), o Tribunal de Contas da União aprovou o processo de privatização da Eletrobras. Essa autorização permitirá que trabalhadores usem os valores do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) para comprar ações da Eletrobras.

Com a privatização, vale a pena investir o FGTS nas ações da Eletrobras?
Com a privatização, vale a pena investir o FGTS nas ações da Eletrobras? (Imagem: Montagem/FDR)

A quantia mínima para o investimento é de R$ 200. A oferta vale para todos os trabalhadores com carteira assinada e que possuam dinheiro em conta no FGTS.
O governo estima que a liberação do FGTS provoque uma considerável venda de ações da Eletrobras. A possível movimentação é de aproximadamente R$ 6 bilhões.

O trabalhador assalariado poderá utilizar até 50% do FGTS para se tornar acionista da companhia. Se a pessoa deseja vender as ações futuramente, o dinheiro retornará para sua conta do FGTS.

Para quem tem interesse na operação, precisa acessar os canais oferecidos pela Caixa Econômica Federal (agências ou aplicativo FGTS) e simular as quantias do investimento.

A compra de ações da Eletrobras acontecerá por meio de Fundos Mútuos de Privatização ligados ao FGTS (FMP-FGTS).

Vale a pena investir o FGTS nas ações da Eletrobras?

Segundo especialistas consultados pelo InfoMoney, a utilização do sado do FGTS, para integrar um fundo do tipo FMP, pode ser interessante para as pessoas dispostas a aceitar maior volatilidade — e estiverem focadas em diversificar as aplicações.

O motivo disso é porque as projeções para as ações da Eletrobras são positivas, se a privatização se concretizar, com o preço-alvo dos ativos preferenciais (ELET6), na bolsa de valores, podendo chegar a R$ 70. Isso seria nos próximos 12 meses.

Segundo a planejadora financeira CFP, Myrian Lund, ainda vale a pena analisar o retorno que vem sendo concedido pelo FGTS. A rentabilidade é fixada em 3% ao ano mais a variação da Taxa Referencial (TR). Contudo, ela pode dobrar se existir distribuição de lucros pelo fundo.

Conforme cálculos do diretor executivo da Associação Nacional de Executivos de Finanças (Anefac), Miguel José Ribeiro de Oliveira, o retorno do Fundo neste ano pode chegar a 4,21%. Isso ao considerar a remuneração de 3% ao ano, somada à TR prevista em 0,10% ao mês (ou 1,21% ao ano).

No entanto, caso neste ano, novamente, não ocorra distribuição de lucros no mesmo nível anunciado em 2021 — de R$ 8,1 bilhões —, aumentaria a rentabilidade total.

Pelos cálculos de Oliveira, ao se repetir o cenário do ano passado, seria adicionado um retorno de 1,8% ao ano aos 4,21% previstos inicialmente.

Além da questão da rentabilidade, o trabalhador deve estar disposto a aceitar eventuais oscilações dos valores das cotas. Isso é típico em fundos tipo FMP, de acordo com Myrian.

A especialista ainda reforça que as pessoas que decidirem alocar parte do FGTS em fundos do tipo FMP estarão investindo em produtos “monoativos”. Ou seja, aplicação em uma única ação. Ao colocar em apenas uma ação, há mais risco.

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Silvio Souza
Silvio Suehiro Souza é formado em Comunicação Social - Jornalismo pela Universidade de Mogi das Cruzes (UMC). Desde 2019 dedica-se à redação do portal FDR, onde tem acumulado experiência e vasto conhecimento na área ligada a economia, finanças e investimentos. Além disso, Silvio produz análises sobre produtos e serviços financeiros, sempre prezando pela imparcialidade e informações confiáveis.