Caminhoneiros em greve? Veja o que diz a categoria sobre o aumento do diesel

O aumento mais recente no preço do diesel, promovido pela Petrobras, tornou o custo do combustível “insustentável”, de acordo com lideranças dos caminhoneiros. A categoria exige que o governo tome providências para aliviar a situação e alguns sindicatos já falam em greve.

A Confederação Nacional dos Caminhoneiros e Transportadores Autônomos de Bens e Cargas (Conftac), entidade que reúne dezenas de associações pelo país, considera que o reajuste de 8,87% no diesel vendido às distribuidoras torna muito grave a situação da categoria, mas não considera a realização de uma greve agora.

“Não há que se falar em movimento de greve. Não é o momento. Todo mundo já está parando por falta de dinheiro. Não se trata de a cada obstáculo que a gente enfrenta se falar nesse sentido. Fica quase que num tom de ameaça e que já está desacreditado”, disse à Veja o presidente da Conftac, André Costa.

Mesmo contrárias à realização de greve agora, as entidades são unânimes nas suas críticas ao governo e à política de preços da Petrobras. Na visão dos caminhoneiros, o presidente Jair Bolsonaro falhou ao não dar respostas efetivas ao problema dos combustíveis e mente ao dizer que não tem ingerência sobre a estatal.

“Mais uma vez esse governo joga a culpa para os outros. Porque quem bota e tira o presidente e quem é o sócio majoritário da Petrobras é o governo. Se ele não tomar essa atitude é porque ele não quer. Enquanto não for resolvido esse problema, o diesel vai continuar aumentando e creio que em meados de setembro ele chegue a R$ 9 o litro”, relatou, também à Veja, Isaac de Oliveira, presidente da Associação Fluminense de Transportadores de Carga.

Greve no Espírito Santo

Alguns caminhoneiros, no entanto, estão decididos a cruzar os braços para resolver o problema do diesel. É o caso do Sindicato dos Transportadores Rodoviários Autônomos de Bens do Espírito Santo (Sindicam-ES), que anunciou o início de uma greve a partir desta quinta-feira (12).

Em comunicado à imprensa, a entidade declarou que “a situação ficou insustentável depois de tantos reajustes, seja no preço do diesel ou nos insumos que compõem o dia a dia do caminhoneiro”. Até o momento, não se sabe se caminhoneiros de outros estados aderiram a esse movimento grevista.

Aumento de 165%

O reajuste mais recente, de 8,87% no diesel comercializado pela Petrobrás, vem 60 dias após um mega-reajuste de 24,9%, implementado em 11 de março. Desde o início do governo Bolsonaro, o preço do combustível nas refinarias já subiu 165%, de acordo com a FUP (Federação Única dos Petroleiros).

Já no acumulado dos últimos 12 meses, de acordo com o IPCA-15, calculado pelo IBGE, o diesel subiu 52,53% para os consumidores.

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Amaury Nogueira
Amaury da Silva Nogueira é bacharelando em Letras/Edição pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Apaixonado pelo universo da escrita, atua há dois anos como redator e realiza pesquisas sobre história da edição no Brasil. Além disso, atualmente pesquisa também sobre direitos e benefícios sociais para agregar conhecimento na redação do portal de notícias FDR.