Dólar tem a maior queda trimestral desde 2009; há mais espaço para quedas?

Desde a guerra iniciada pela Rússia contra a Ucrânia há pouco mais de um mês, os Estados Unidos da América (EUA) decidiram se posicionar sobre o conflito. Contudo, o país também tem sofrido algumas consequências devido à investida. A principal é a queda do dólar que, há dias apresenta volatilidades no decorrer de um mesmo dia. 

Ontem, por exemplo, a moeda norte-americana teve a maior queda trimestral desde 2009. A desvalorização do dólar refletiu diretamente na bolsa de valores, que também apresentou um recuo logo após ter duas altas seguidas. Mas mesmo sofrendo os efeitos conseguiu fechar o trimestre em alta, com a maior variação desde o ano de 2020. 

Nesta quinta-feira, 31, o dólar encerrou o dia sendo vendido a R$ 4,761, com um recuo de R$ 0,026 (-0,54%). O intrigante é que a moeda começou o dia de ontem em alta, mas como já era de se esperar devido ao histórico recente, teve uma reviravolta e começou a cair logo depois da abertura das negociações no mercado dos EUA. 

A mínima do dia foi registrada em torno de 13h, instante em que o valor da moeda chegou a R$ 4,72. Naquele momento o baixo preço da moeda foi visto como um atrativo e tanto para a compra por grandes empresas empenhadas em fechar o caixa do trimestre no azul. Em meio às altas e baixas do último dia do mês, o dólar encerrou o trimestre com um recuo de 7,63%.

O percentual remete à maior queda mensal já registrada desde o mês de outubro de 2018. Vale pontuar que também neste primeiro trimestre, a divisa teve uma queda de 14,55%, se consolidando como a maior baixa desde o segundo trimestre de 2009. Na época, os mercados financeiros estadunidenses ainda estavam tentando se recuperar da crise financeira que assolou o país em 2008. 

Impactos do dólar no mercado de ações

Considerando a ligação direta entre a moeda e o mercado de ações, a queda do dólar resultou em um dia tenso. Para se ter uma ideia, o índice Ibovespa, da Bolsa de Valores brasileira, a B3, fechou o dia com 119.999 pontos, apresentando um recuo de 0,22%. Esta queda foi influenciada pelas ações do setor de petróleo e de empresas de energia. 

Ambas reagiram à queda na cotação internacional do petróleo após o presidente dos EUA, Joe Biden, anunciar a liberação dos estoques internos. A iniciativa é uma resposta ao governo russo, em meio à tentativa de driblar o encarecimento do combustível após o início do que Vladimir Putin insiste em chamar de “conflito militar” contra a Ucrânia. 

Enquanto isso, o Ibovespa encerrou o mês de março com rendimentos na margem de 6,06%. Neste primeiro trimestre de 2022 a alta acumulada ficou em 14,48%, se destacando como o desempenho mais notório desde o último trimestre de 2020.

No que compete ao câmbio, o dólar teve algumas altas em relação às demais moedas. A valorização ocorreu, principalmente após a divulgação do número de pedidos nos EUA, que teve um crescimento acima do previsto. 

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Laura Alvarenga
Laura Alvarenga é graduada em Jornalismo pelo Centro Universitário do Triângulo em Uberlândia - MG. Iniciou a carreira na área de assessoria de comunicação, passou alguns anos trabalhando em pequenos jornais impressos locais e agora se empenha na carreira do jornalismo online através do portal FDR, onde pesquisa e produz conteúdo sobre economia, direitos sociais e finanças.