Nova margem do consignado do INSS pode aumentar endividamento; entenda

Governo Federal aprova nova margem para os empréstimos consignados do INSS. Recentemente, o ministério da economia informou que aumentará de 35% para 40% a porcentagem que pode ser destinada as linhas de crédito dos aposentados e pensionistas. A decisão terá um impacto imediato no mercado. Entenda.

INSS: nova margem do consignado pode aumentar endividamento; entenda (Imagem: Marcos Rocha/ FDR)
INSS: nova margem do consignado pode aumentar endividamento; entenda (Imagem: Marcos Rocha/ FDR)

Afim de melhorar o desenvolvimento econômico do país, o governo federal aumentou a margem de crédito dos aposentados e pensionistas do INSS. Agora, até 40% de seus salários poderão ser destinados ao empréstimo consignado, o que deve aumentar os indicativos de endividamento da população.

Economia em declínio

Apesar do governo tentar reaquecer a economia brasileira, levando em consideração o ano eleitoral, o aumento da margem do consignado deverá ter um impacto muito mais negativo do que positivo.

É válido ressaltar que os juros mensais máximos do empréstimo consignado são, nesse momento, de 2,14% ao mês e 3,06% para o cartão de crédito consignado. No caso dos juros para beneficiários do BPC e do Auxílio Brasil os juros devem chegar a 3% ao mês.

“É indecoroso incluir BPC e Auxílio Brasil no consignado. São dois benefícios assistenciais voltados a tirar a pessoa da condição de miséria. Não deveria ser um mecanismo de endividamento, colocando a pessoa no “mercado” sem a menor estrutura para dar conta disso”, pontuou Tônia Galetti, diretora do Sindicato Nacional de Aposentados, Pensionistas e Idosos (Sindnapi), em entrevista ao portal IG economia.

De acordo com ela, em um futuro próximo, a população terá ainda mais dívidas:

“O governo está abrindo mão de fazer a manutenção das condições que fazem com que a pessoa receba o BPC ou será olhada a situação de vulnerabilidade somente no ato da concessão?”, diz Tônia.

“Para os que estão muito necessitados, o aumento da margem consignável vem em boa hora, principalmente se, com o novo empréstimo, a pessoa conseguir quitar alguns com juros mais altos, como o cartão de crédito ou cheque especial. Mas bem melhor do que o aumento da margem seria a aprovação do 14º salário, excepcionalmente, e melhor ainda a aprovação do Projeto de Lei 4434/2008, que recupera o poder de compra dos aposentados, em relação ao salário mínimo, em cinco anos”, avalia Yedda Gaspar, presidente da Federaçao das Associações de Aposentados e Pensionistas do Estado do Rio de Janeiro (Faaperj), também em entrevista ao IG economia.

MAIS LIDAS

×

Deixe as notícias mais recentes encontrarem você

Você pode ficar a par das melhores notícias financeiras e atualizado dos seus direitos com apenas uma coisa: o seu email!

Eduarda Andrade
Maria Eduarda Andrade é mestra em ciências da linguagem pela Universidade Católica de Pernambuco, formada em Jornalismo na mesma instituição. Enquanto pesquisadora, atua na área de políticas públicas, economia criativa e linguística, com foco na Análise Crítica do Discurso. No mercado de trabalho, passou por veículo impresso, sendo repórter do Diario de Pernambuco, além de assessorar marcas nacionais como Devassa, Heineken, Algar Telecom e o Grupo Pão de Açúcar. Atualmente, dedica-se à redação do portal FDR, onde já acumula anos de experiência e pesquisas sobre economia popular e direitos sociais.