Cenário de incerteza eleva preço do petróleo; confira posicionamento da Petrobras

Pontos-chave
  • A Petrobras indica grande incerteza no aumento do petróleo;
  • A empresa não aumentará a produção diante do valor do petróleo;
  • A companhia deseja manter a atual política de preços.

Nesta quinta-feira (24), em meio ao conflito entre Rússia e Ucrânia, o valor do barril do petróleo superou a parca de US$ 100. Em uma ponta, o preço alto do petróleo pode favorecer os números da Petrobras. Apesar disso, a política de preços da estatal tende a ser mais pressionada.

A alta do preço do petróleo pode impactar diretamente o Brasil. Por conta da atual política de preços da Petrobras, os consumidores brasileiros podem ser afetados por este contexto atual. A última vez que a companhia subiu o valor da gasolina tinha sido em 12 de janeiro.

Petrobras observa alta no preço do petróleo com “extrema incerteza”

Nesta quinta, em teleconferência com analistas, o diretor de Comercialização e Logística da Petrobras, Claudio Mastella, informou que observa o aumento do petróleo com “extrema incerteza”.

O panorama já tem sido elevado para o mercado de petróleo, também puxado pela oferta insuficiente e grande demanda. Segundo Mastella, os eventos recentes provocaram um pico de volatilidade.

Ele declarou que a estatal seguirá observando o mercado e, em paralelo, o desenvolvimento do câmbio nas últimas semanas — tendo, o câmbio em comparação ao real, um comportamento em contraposição ao avanço da cotação de petróleo e derivados.

Petrobras não elevará produção devido ao preço do petróleo

De acordo com executivos da Petrobras, apesar da elevação do petróleo, não há possibilidade de caixa extra provocada devido ao incremento do barril, ser direcionada para capex que possam ser antecipados. A companhia alega que, pelos prazos de investimentos e dinâmica da indústria, isso não é possível.

Conforme o plano da estatal, já é muito alto o comprometimento do capex logo no começo do plano. Por conta disso, não existe espaço para antecipar mais investimentos.

Para a construção de unidades flutuantes de armazenamento e transferência instaladas no pré-sal (FPSOs) — onde se concentra 70% da produção da companhia — será preciso quatro anos. Essa questão também dificulta vincular aplicações em elevação de produção devido à subida do petróleo.

A tensão entre Rússia e Ucrânia pode causar alta no valor dos combustíveis no Brasil
A tensão entre Rússia e Ucrânia pode causar alta no valor dos combustíveis no Brasil (Imagem: Montagem/FDR)

Petrobras manterá preço internacional

Apesar do barril do petróleo estar em nível elevado, a Petrobras deve manter seus valores atrelados aos do mercado internacional. A companhia argumenta que, caso ela não acompanhe as cotações do petróleo e derivados, o mercado nacional de combustíveis e abastecimento local poderão ser prejudicados.

Segundo Claudio Mastella, em meio a diversas tensões geopolíticas, a estatal vem observando o aumento dos preços nas últimas semanas. Em paralelo, ele afirmou que o dólar foi desvalorizado.

Diante desses dois movimentos, o diretor ressaltou que a empresa conseguiu manter seus valores inalterados. O executivo ainda declarou que a volatilidade foi maior na quinta-feira. Segundo ele, a Petrobras “está observando” o mercado para considerar novos reajustes.

Mastella entende que, apesar das tensões internacionais, a empresa é competitiva e está alinhada com o mercado externo. Ao mesmo passo, ele declara que a estatal evita direcionar aos consumidores volatilidades conjunturais das cotações.

A política de paridade internacional da Petrobras

Para estabelecer os reajustes dos preços da gasolina e óleo diesel nas refinarias, a Petrobras usa o Preço de Paridade Internacional (PPI). Diante dessa política, os valores internos deveriam aumentar conforme a valorização das cotações do petróleo — e derivados — nos grandes mercados globais de negociação.

Além da cotação do petróleo, a companhia considera os custos logísticos de importação e câmbio no cálculo. Por conta da guerra entre Rússia e Ucrânia, a cotação do petróleo registrou forte alta. Consequentemente, diante da política de preços da Petrobras, os valores dos combustíveis devem subir no Brasil.

Segundo análise indicada pelo Estadão, uma das razões para a companhia manter a política é o objetivo de atrair investidores para as refinarias — que estão à venda.

Caso atenda a reivindicação do presidente Jair Bolsonaro, de congelar os valores dos combustíveis para controlar a inflação, há o receio de afastar as companhias interessadas no negócio, e que não querem integrar uma atividade comandada pelo governo.

Diante da inclusão de novos agentes no setor de refino, a Petrobras reviu sua estratégia de concorrência — para lidar com um mercado mais dinâmico —, segundo o diretor Financeiro e de Relações com Investidores, Rodrigo Araújo, ao Estadão.

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Silvio Souza
Silvio Suehiro Souza é formado em Comunicação Social - Jornalismo pela Universidade de Mogi das Cruzes (UMC). Desde 2019 dedica-se à redação do portal FDR, onde tem acumulado experiência e vasto conhecimento na área ligada a economia, finanças e investimentos. Além disso, Silvio produz análises sobre produtos e serviços financeiros, sempre prezando pela imparcialidade e informações confiáveis.