Gigante imobiliária suspende atividades na bolsa chinesa; entenda o que ocorreu

Nesta segunda, 3, a Evergrande, gigante do mercado imobiliário da China, comunicou a suspensão de suas operações na Bolsa, sem explicar a razão da decisão. A empresa que está atolada em dívidas que somam US$300 bilhões, está lutando para pagar seus detentores de títulos e investidores, após ser enquadrada por medidas colocadas pelo governo chinês para conter o setor imobiliário.

“O comércio de ações do Grupo China Evergrande será suspenso às 9h (23h, horário de Brasília) de hoje (segunda,3)”, explicou o grupo em pequeno comunicado na Bolsa de Valores de Hong Kong.

No último mês, a Evergrande começou a ser categorizada como “em default”, inadimplente em português, pelas agências de classificação de risco, após parar de pagar as obrigações dentro do prazo.

As outras tentativas de arcar com os pagamentos de fornecedores e empreiteiros, por conta da crise do endividamento da empresa, resultaram em protestos de compradores e de investidores na sede localizada em Shenzhen. 

A empresa fez a alegria momentânea de seus investidores na semana passada quando anunciou que poderia cumprir com a entrega de dezenas de milhares de unidades residenciais em janeiro e pagar alguma de suas dívidas. Mas, no final da semana, as ações caíram após informes de que não havia quitado outros dois títulos offshore.

A Evergrande vinha insistindo nos últimos meses que iria completar seus projetos incompletos e entregá-los aos compradores. Esta foi mais uma tentativa desesperada de pagar as dívidas, mesmo que não tenha efetuado um pagamento anterior de cerca de US$1,2 bilhão.

A companhia tentou vender seus ativos e ações de outras empresas, e o presidente, Hui Ka Yan, utilizou uma parcela de sua fortuna pessoal para arcar com um montante da dívida.

O governo da província de Cantão, onde a sede da empresa está localizada, vem acompanhando o processo de reestruturação da dívida da Evergrande.

Além de enfrentar problemas com seu setor imobiliário, que responde por 25% de seu PIB (Produto Interno Bruto), a China também sente os reflexos da pandemia do coronavírus e da dificuldade atual de abastecimento da cadeira de produção no mundo.

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Paulo Amorim
Paulo Henrique Oliveira é formado em Jornalismo pela Universidade Mogi das Cruzes e em Rádio e TV pela Universidade Bandeirante de São Paulo. Atua como redator do portal FDR, onde já cumula vasta experiência e pesquisas, produzindo matérias sobre economia, finanças e investimentos.