Trabalhadores com baixos salários e sem proteção social são quase metade dos brasileiros

ARAGUARI, MG — De acordo com um índice exclusivo criado pelo pesquisador da Consultoria IDados, Bruno Ottoni, quase metade dos trabalhadores brasileiros empregados estão em um cargo pouco remunerado, sem rede de proteção social e com jornadas exaustivas.

Para chegar a este resultado foi preciso cruzar dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, de 2016, até o terceiro trimestre deste ano. 

Na época utilizada para a análise, 45,8 milhões de trabalhadores se encontravam nas condições mencionadas. Tanto o volume quanto o percentual superam os registros de 2019, pré-pandemia, cujo ponto máximo foi de 44,3 milhões. 

O economista ainda prevê que, “no início do ano que vem, época em que o mercado de trabalho sazonalmente tem desempenho fraco, certamente vamos estourar o patamar de 50%”.

Será o momento em que a maior parte dos trabalhadores empregados por todo o país, estará em cargos de baixa qualidade e sem nenhuma segurança. Os números foram divulgados na última terça-feira, 28, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), referentes ao trimestre encerrado em outubro e confirmados por Ottoni, de que o temor da situação tende a piorar nos próximos meses. 

No levantamento também foi possível observar que a renda média real do trabalho, já com o desconto da inflação, teve uma queda de 11% frente ao mesmo período em 2020. Até então, o nível mais baixo já registrado havia sido em 2012. 

O rendimento dos trabalhadores é um dos principais fatores do indicador apresentado por Ottoni, tendo em vista que o salário mínimo não tem sido o suficiente para comprar seis cestas básicas por mês, já que 80,9% dos trabalhadores não ganham o bastante para isso. 

Ottoni reforça que, mesmo para quem tem emprego formal, o rendimento continua baixo. Na circunstância dos trabalhadores subocupados, aqueles que não conseguem um trabalho em período integral, a renda média é ainda menor e, infelizmente, já tem se tornado um padrão em patamares elevados.

Este cenário de dificuldades tem sido vivido pelo casal carioca, Alexandre do Nascimento e Leila Micaele, que há quatro anos tira seu sustento da venda de canudinhos de doce de leite em Copacabana. Mas durante a pandemia da Covid-19, a renda deles foi bruscamente afetada. 

No período pré-pandemia conseguiam vender até 500 canudinhos por dia, com a ajuda de dois carrinhos. Mas hoje este número caiu drasticamente. Além disso, o casal ainda precisou interromper as vendas devido às restrições impostas pela pandemia, mas têm a esperança de poder retomar o trabalho neste final de ano. 

Nascimento conta que hoje lutam para conquistar até R$ 150 por dia, menos da metade do que conseguiam antes. “A esperança é melhorar, né? Piorar não tem mais como. Voltamos para Copacabana agora neste fim de ano, por causa dos turistas e do avanço da vacinação”, declarou.

Laura AlvarengaLaura Alvarenga
Laura Alvarenga é graduada em Jornalismo pelo Centro Universitário do Triângulo em Uberlândia - MG. Iniciou a carreira na área de assessoria de comunicação, passou alguns anos trabalhando em pequenos jornais impressos locais e agora se empenha na carreira do jornalismo online através do portal FDR, onde pesquisa e produz conteúdo sobre economia, direitos sociais e finanças.