Garantia de 5% de retorno ao mês? Assessoria de criptos é alvo de investigações

Em um dia, o investidor possui títulos que rendem até 5% todo mês, o que dá cerca de 80% ao ano. No outro dia, a renda deixa de multiplicar e o dinheiro fica congelado com uma promessa de devolução em prestações. Esse é o drama vivido por quase 4 mil clientes de uma assessoria de criptoativos e está sendo investigada.

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A MSK Invest é suspeita de ter formado um esquema de pirâmide, já que a empresa pode ter levantado R$700 milhões junto aos investidores. No site, a empresa se apresenta aos clientes como “uma alternativa para quem quer possibilidades de rentabilidade, baixo risco e simplicidade”. Já no  Instagram, que agora está com os comentários fechados e apenas 16 postagens. Há a imagem de um barco de luxo com a legenda: “Para mudar sua vida, você precisa mudar suas atitudes”.  

Porém, não há informações sobre qual a estratégia de investimento seguida pela empresa, que tem um CNPJ existente desde 2015.

Ao ser procurada, a MSK afirmou que oferece negociações de criptoativos, mas não entrou em detalhes pois considera a estratégia propriedade intelectual da empresa.

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No dia 16 de dezembro, os clientes da empresa receberam um comunicado anunciando o fim do serviço. Eles deixaram de receber a renda mensal que foi contratada e a restituição do valor investido originalmente aconteceria 50 dias após a assinatura de um distrato, mas de forma parcelada. O documento informava que não havia garantia de restituição completa do valor aportado.  

Em um comunicado, a empresa citou dois motivos: crescimento além do “limite operacional” do serviço e a aprovação de um projeto de lei que regulamenta o mercado de criptoativos. Apenas um detalhe: o PL  2303/15 ainda não foi aprovado. O texto, que pretende coibir crimes de estelionato e lavagem de dinheiro com criptomoedas, passou pela Câmara dos Deputados, mas ainda precisa de um aval dos senadores e da sanção do presidente Jair Bolsonaro para entrar em vigor. 

A MSK afirmou que a suspensão do investimento por causa da lei é uma medida preventiva a eventuais riscos futuros. O ProconSP afirmou que pretende notificar a empresa. A Justiça possui dados liminares destoantes, mas já determinou o bloqueio de contas da MSK, a fim de garantir o ressarcimento de clientes.

Atualização

A empresa divulgou a seguinte nota através:

“A MSK Invest comunica a todos os interessados que, após convocação geral dirigiada aos investidores, já firmou acordo com mais de dois mil deles e seguirá procurando se compor com todos no sentido de restituir os valores investidos. Os sócios permanecem no Brasil, as cinco agências físicas em vários pontos estão em atividade e a empresa já manifestou à direção do Procon a intenção de celebrar um acordo geral com os investidores.”

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Jheniffer Freitas
Jheniffer Aparecida Corrêa Freitas é formada em Jornalismo pela Universidade de Mogi das Cruzes. Atuou como assessora de imprensa da Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo e da Secretarial Estadual da Saúde de São Paulo. Há dois anos é redatora do portal FDR, onde acumula bastante experiência em produção de notícias sobre economia popular e finanças.