Maior greve dos últimos 9 anos? Debandada de servidores da Receita Federal aumenta

Nessa semana, servidores da Receita Federal deram entrada em seus pedidos de exoneração mediante insatisfação com o governo Bolsonaro. A debandada foi motivada pela decisão de aumentar o salário dos policiais militares, enquanto foram realizados inúmeros cortes no órgão. Até o momento, 44 cargos foram dispensados. Acompanhe.

Maior greve dos últimos 9 anos? Debandada de servidores da Receita Federal aumenta (Imagem: FDR)
Maior greve dos últimos 9 anos? Debandada de servidores da Receita Federal aumenta (Imagem: FDR)

Visando atender seus interesses políticos, o presidente Jair Bolsonaro aprovou um projeto de lei que aumenta o salário dos policiais militares. Ao ser validada, a notícia repercutiu negativamente em todo o país, fazendo com que os auditores da Receita Federal entregassem seus cargos.

Exoneração em massa

Pelo que se sabe até o momento, 44 servidores do órgão que atuavam como conselheiros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) pediram demissão. Contabilizando ao ano todo, foram 635 auditores entregando seus cargos de chefia. Muitos manifestaram-se afirmando que o Orçamento da União de 2022 não incluía reajustes para a categoria.

Na contrapartida, Bolsonaro aprovou acréscimos financeiros para quem trabalha na Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal e Departamento Penitenciário Nacional.

Carf se pronuncia sobre debandada na Receita Federal

Responsável pelos julgamentos dos recursos de empresas que são multadas pela Receita Federal, o Carf informou que irá apoiar a decisão dos servidores.

“Tal decisão visa apoiar as diversas ações de mesma natureza que estão ocorrendo em todas as regiões fiscais no âmbito da Receita Federal do Brasil e visa engrossar o número de Auditores-Fiscais e Analistas-Tributários que, cientes de suas responsabilidades e da complexidade de suas atribuições, assim como dos crescentes resultados positivos decorrentes da dedicação e qualidade do trabalho realizado ficam cada vez mais perplexos com o descaso do Governo Federal“, informam em nota publicada nesta semana.

Ainda segundo o documento, “tal descaso se estende, inclusive, a questões remuneratórias, como fica evidente pela demora na regulamentação do bônus de eficiência, uma pendência de cinco anos, o que revela desprestígio institucional incompatível com a importância da Receita Federal do Brasil”.

Questionado sobre as demissões, o ministério da economia informou que não iria se pronunciar sobre o assunto. Até o momento, o presidente Jair Bolsonaro também não se manifestou e não há previsão de retorno desses cargos.

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Eduarda Andrade
Maria Eduarda Andrade é mestranda em ciências da linguagem na Universidade Católica de Pernambuco, formada em Jornalismo pela mesma instituição. Enquanto pesquisadora, atua na área de políticas públicas, economia criativa e linguística, com foco na Análise Crítica do Discurso. No mercado de trabalho, passou por veículo impresso, sendo repórter do Diario de Pernambuco, além de assessorar marcas nacionais como Devassa, Heineken, Algar Telecom e o Grupo Pão de Açúcar. Atualmente, dedica-se à redação do portal FDR, onde já acumula anos de experiência e pesquisas sobre economia popular e direitos sociais.