Tesouro Direito: Ainda vale a pena investir mesmo com queda de rentabilidade?

Em 30 dias, até o último dia 28, oito dos dez títulos a disposição para compra no Tesouro Direto apresentaram rentabilidade negativa. As quedas chegaram a 16,42% neste período.

Considerando o acumulado de janeiro até este momento, todos os títulos registraram quedas que atingiram até 34,77%, que é o caso o Tesouro IPCA+ com vencimento em 2045.

Tesouro Direto: o que está acontecendo?

A sócia fundadora da Nord Research, Marília Fontes, disse que o Tesouro Direto vem apresentando uma forte alta das taxas de títulos, em especial, prefixados e atrelados à inflação, durante este ano. 

“As taxas subiram. Isso faz com que os títulos prefixados e indexados à inflação tenham marcação a mercado negativa, ou seja, dão prejuízo. Com isso, quem comprou esses títulos no início do ano e quiser vender hoje terá prejuízo, recebendo menos do que o valor investido. Em outubro isso se acentuou, porque as próprias taxas de mercado subiram muito por um medo fiscal, de flexibilização do teto de gastos”, disse Marília.

A marcação a mercado é a atualização dos preços realizada todos os dias, para mais ou para menos, de títulos de renda fixa (como o próprio Tesouro Selic) e produtos de renda variável, como os fundos de fundos, por exemplo. Sendo assim, este é o preço que o investidor conseguiria caso vendesse seu ativo hoje.

Em meio a instabilidade interna e pela projeção de rentabilidades mais altas nos próximos meses, o mercado está praticamente pagando menos pelos títulos hoje.

“Com exceção do Tesouro Selic, praticamente todos os títulos estão sofrendo desvalorizações em 2021. Em outubro, o movimento foi bastante negativo, principalmente após a ameaça do governo em furar o teto de gastos”, disse Vinicius Romano, especialista de renda fixa da Suno Research.

Ainda vale o investimento?

De acordo com especialistas procurados pelo UOL, o Tesouro Direto, especialmente as opções ligadas à Taxa Selic e ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA),  possuem boas perspectivas para quem deseja direcionar uma parcela de seus investimentos para a renda fixa.

“A renda fixa se torna mais atratividade em um ambiente econômico mais volátil, como o que se vê agora. Com essa projeção de continuidade da alta da Selic, os investimentos pós-fixados em Selic ficam atrativos. Quem pensa mais no longo prazo pode optar por títulos atrelados ao IPCA+”, diz Daniel Xavier, coordenador do departamento econômico do Banco ABC Brasil.

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Paulo Amorim
Paulo Henrique Oliveira é formado em Jornalismo pela Universidade Mogi das Cruzes e em Rádio e TV pela Universidade Bandeirante de São Paulo. Atua como redator do portal FDR, onde já cumula vasta experiência e pesquisas, produzindo matérias sobre economia, finanças e investimentos.