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Estados congelam ICMS sobre combustíveis, mas medida não impede novos aumentos; entenda

Por Micaela Santos
29 de outubro de 2021
Estados congelam ICMS sobre combustíveis, mas medida não impede novos aumentos; entenda

Estados congelam ICMS sobre combustíveis, mas medida não impede novos aumentos; entenda (Imagem/Reprodução Google)

Os Estados aprovaram nesta sexta-feira (29) o congelamento do valor do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) cobrado nas vendas de combustíveis. A medida vale por 90 dias e tem como objetivo mitigar a alta dos preços ao consumidor final que bomba dos postos de gasolina. 

A decisão foi do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), o colegiado que lida com as normas do ICMS, junto com a presidência do Ministério da Economia. Uma reunião extraordinária foi realizada nesta sexta com representantes do Confaz. O objetivo é colaborar com a manutenção dos preços nos valores vigentes de 1º de novembro até 31 de janeiro de 2022.

Na prática, o preço base de incidência das alíquotas do ICMS praticadas pelos Estados fica congelado até o fim de janeiro, ou seja, não importando o preço cobrado pela Petrobras. Até então, a atualização do preço médio era feita de 15 em 15 dias, o que impactava na alta dos combustíveis. 

Preço final

O preço final dos combustíveis é composto pelo valor cobrado pela Petrobras nas refinarias. O valor inclui tributos federais, como PIS, Pasep, Cofins e Cide, e  estaduais, no caso do ICMS. Também inclui margens de tributação de revenda e do custo do biodiesel, que é o caso do óleo diesel, e do etanol, na gasolina. 

No caso do imposto estadual, o valor incide sobre o preço do combustível (preço médio ponderado ao consumidor final e reajustado a cada 15 dias). Cada governo estadual tem capacidade para definir a alíquota. De acordo com a Federação Nacional do Comércio de Combustíveis (Fecombustíveis), essa taxa pode variar entre 25% e 34% na gasolina, dependendo do Estado. 

A decisão de congelar o ICMS por 90 dias é uma tentativa dos Estados de ganharem tempo para que o projeto votado na Câmara não passe no Senado da forma que foi aprovado pelos deputados.

Esse Projeto de Emenda à Constituição (PEC) em questão propõe a alteração na forma como o ICMS é calculado. Segundo o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, se sair do papel, a proposta deverá baixar os preços dos combustíveis em até 8%. 

O texto aprovado na Câmara, no entanto, fará com que os Estados arrecadem menos impostos do que poderia, por isso a PEC sofre resistência dos governadores. De acordo com a Febrafite (Federação Brasileira de Associações de Fiscais de Tributos Estaduais. 

Congelamento não inibe novos aumentos

Embora tenha o objetivo de controlar a inflação dos combustíveis, representantes do setor e especialistas afirmam que a medida pode conter a disparada nos preços, mas não garante o fim dos reajustes. Isso porque o ICMS compõe apenas uma parte do preço médio cobrado na bomba.

Em junho, o imposto correspondeu a 27,8% da gasolina, 14,2% do diesel e 13,6% do gás de cozinha (GLP, botijão de 13 kg). Os dados são da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). 

Já a margem que pertence aos produtores, incluindo a Petrobras, importadores, distribuidores, entre outros, continua sujeita a variações, uma vez que é atrelada ao dólar e ao barril de petróleo. Ou seja, caso as cotações do dólar e do petróleo caiam, a decisão de congelar o ICMS poderá ter um efeito inverso, levando, assim, ao freio da redução dos preços ao consumidor. 

Para Gabriel Quintanilha, professor convidado da FGV Direito Rio e especialista em direito tributário, a medida é positiva em relação à conter a alta dos preços dos combustíveis. No entanto, ela também não garante o fim dos reajustes.

Para o professor, existe um risco baixo de o congelamento favorecer os estados e prejudicar o consumidor. Isso só poderá acontecer caso o dólar e o petróleo caiam nos próximos meses. Entretanto, como existe um aumento na demanda global, Quintanilha acredita que a tendência é de alta nos preços. 

Já Andréa Marco Antonio, especialista em tributação internacional, afirma que o congelamento é importante para demonstrar que os estados estão dispostos a cooperar para frear a inflação. A medida, no entanto, é paliativa e não impedirá novos reajustes.

Segundo ele, há outros componentes no preço que podem continuar aumentando. “Porém, a medida é paliativa e não impedirá novos aumentos, uma vez que há outros componentes no preço que podem continuar aumentando”, disse. 

Micaela Santos

Micaela Santos

Jornalista formada pela Universidade São Judas. Foi repórter da Agência Mural de Jornalismo das Periferias e da Época Negócios, revista de negócios e inovação da Editora Globo. Tem experiência na cobertura de tecnologia, negócios, carreira, economia e finanças.

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