Bolsonaro é mesmo o vilão? Saiba porque alimentos, gás e gasolina subiram tanto

Pontos-chave
  • Posicionamento do presidente é capaz de afetar o mercado financeiro;
  • Alta da inflação provoca aumento nos preços de mercado;
  • Alta na gasolina é a principal preocupação do governo.

Nos últimos tempos o cidadão brasileiro tem sofrido para manter os gastos básicos de uma casa, como alimentos, gás de cozinha e gasolina. O aumento nos preços é nítido, e muitos têm atribuído a culpa ao presidente da República Jair Bolsonaro

Bolsonaro é mesmo o vilão? Saiba porque alimentos, gás e gasolina subiram tanto
Bolsonaro é mesmo o vilão? Saiba porque alimentos, gás e gasolina subiram tanto. (Imagem: FDR)

Não é segredo algum que as atitudes de Bolsonaro têm o poder de afetar o mercado financeiro e econômico. Exemplos recentes podem ser vistos em duas ocasiões diferentes na qual o presidente foi o protagonista, sendo a primeira nos ataques ao Supremo Tribunal Federal (STF) durante as manifestações de 7 de setembro. 

O segundo acontecimento se trata das afirmações sobre o Auxílio Brasil condicionadas à possibilidade de ultrapassar o teto de gastos da União. Em ambos os casos, os efeitos das falas proferidas por Bolsonaro impactaram a bolsa de valores, o dólar e muito mais. 

Inflação 

É preciso ter em mente que todo e qualquer reajuste que é feito em território brasileiro se baseia na inflação, e não tem sido diferente com o aumento nos preços dos alimentos, gás de cozinha e gasolina. A inflação é medida pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) por meio dos seguintes indicadores:

  • Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC);
  • Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA);
  • Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo Especial (IPCA-E).

De acordo com o IPCA-15, baseado em uma prévia oficial, a inflação acelerou em 1,2% no mês de outubro, após chegar a 1,14% em setembro. Essa foi a maior variação para qualquer mês de outubro de 1995, quando o índice chegou ao patamar de 1,34%.

No acumulado do ano o IPCA-15 apresenta uma alta de 8,3%, e nos últimos 12 meses, de 10,34%. Os dados foram divulgados pelo IBGE nesta terça-feira, 26.

A inflação é a base utilizada para a atualização e aplicação de uma série de preços cobrados no mercado, e a primeira vítima desses reajustes é o consumidor brasileiro. 

Isso porque, um dos primeiros impactos é a redução do poder de compra, especialmente quando o salário não acompanha os índices de alta dos preços, empobrecendo o cidadão.

Na sequência o consumo diminui, afetando a produção e comercialização de itens como alimentos, gás de cozinha e gasolina. Por consequência, a oferta de postos de trabalho e a renda da população também são afetados.

Aumento nos alimentos

Os alimentos em geral, especialmente as carnes, são bons exemplos da disparada de preços que tem impactado os cidadãos brasileiros ultimamente. A situação foi analisada pelo economista André Braz, do Ibre FGV, considerando resultados no INPC entre fevereiro de 2020 a setembro de 2021. 

Durante este período o INPC teve uma variação de 11,59% em São Paulo, Brasília, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador, Recife e Porto Alegre. Ao analisar o impacto por grupos, notou-se o aumento nos preços de alguns alimentos em específico, aqueles frequentemente usados em churrascos e festas.

É o caso das carnes bovinas (35,31%), frango em pedaços (32,62%), frango inteiro (28,21%) e carne suína (25,26%). Estes itens dispararam com o aquecimento da demanda no mercado internacional. Os itens da cesta básica também integram este cenário, e devem fechar o ano com uma alta de 10%. 

Ao que tudo indica, a desaceleração na alta dos alimentos esperada para o último trimestre do ano não deve acontecer na mesma intensidade que antes. Em 12 meses, a inflação de alimentos está em 14,6% e 16% em itens da cesta básica. Até o fim do ano, a expectativa é para que o percentual desacelere em até 10%.

Aumento no gás de cozinha

O preço do gás de cozinha voltou a aumentar na última semana, chegando a 1,5% em comparação à semana anterior. Desta forma, já acumula uma alta de 3,5% em outubro, segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP)

Ao analisar os valores cobrados por todo o Brasil, foi possível observar que o preço mais alto foi encontrado em Rondônia, mais precisamente no município de Cacoal, a R$ 135. Enquanto isso, o gás de cozinha mais barato está em Cariacica, no Espírito Santo. 

O preço médio do gás de cozinha ficou em R$ 101,96, em comparação à média da semana anterior que era de R$ 100,44. 

Aumento na gasolina

Enquanto isso, a gasolina apontou uma alta de 0,6% na comparação semanal de 17 a 23 de outubro e de 4,4% na mensal. Já o diesel foi capaz de diluir boa parte do aumento, em 28 de setembro, 85 dias sem reajuste, subindo 0,1% na semana e 3,7% ao mês.

O encarecimento nos preços dos combustíveis no Brasil segue acompanhando a disparada de preços do petróleo e derivados no mercado internacional. 

O barril de petróleo já custa US$ 85,53, em um momento de desvalorização do real contra a supervalorização do dólar, resultando em preços excessivos cobrados para o consumidor final. A alta dos combustíveis tem preocupado o Governo Federal, tanto pelo impacto na inflação como pela insatisfação da sociedade, sobretudo os caminhoneiros.

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Laura Alvarenga
Laura Alvarenga é graduada em Jornalismo pelo Centro Universitário do Triângulo em Uberlândia - MG. Iniciou a carreira na área de assessoria de comunicação, passou alguns anos trabalhando em pequenos jornais impressos locais e agora se empenha na carreira do jornalismo online através do portal FDR, onde pesquisa e produz conteúdo sobre economia, direitos sociais e finanças.