Ex-ministra faz fortes críticas a criação do Auxílio Brasil e fim do Bolsa Família

Em entrevista ao UOL, a ex-ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome Tereza Campello, fez uma declaração polêmica. Segundo ela, programas sociais de transferência de renda como o Auxílio Brasil e o Bolsa Família são um indicativo de que o “pobre é pobre porque é preguiçoso“.

Ex-ministra faz fortes críticas a criação do Auxílio Brasil e fim do Bolsa Família
Ex-ministra faz fortes críticas a criação do Auxílio Brasil e fim do Bolsa Família. (Imagem: FDR)

Ela enxerga o Auxílio Brasil e o Bolsa Família como adornos do Governo Federal para atender a população em situação de pobreza e extrema pobreza, a qual deveria se esforçar um pouco mais para conseguir se realocar no mercado de trabalho. 

Nas palavras da ex-ministra, os programas sociais refletem um cenário fora da realidade, onde teoricamente o país está superlotado com vagas de emprego enquanto uma parcela da população fica encostada no Estado. 

Mas no geral, a ex-ministra e também economista, alega que a estruturação do que será o novo programa social é completamente desorganizada.

Ela alega que o Governo Federal tem se preocupado demais com a troca de nome do programa, deixando de lado o real propósito que é o aumento da transferência e a ampliação no número de beneficiários que serão atendidos. 

“O programa [Auxílio Brasil] tem nove diferentes benefícios, calcados não na inclusão, não em trazer essa população para dentro do Estado, as crianças para dentro da sala de aula, e garantindo atenção médica”, declarou Tereza Campello. 

Campello também critica a agilidade na qual o Auxílio Brasil vem sendo tratado, após se cansar de escutar sobre uma possível extinção do Bolsa Família durante os últimos três anos.

Ela alega que os líderes partidários têm o péssimo hábito de aguardar até o último, neste caso em especial, e ano pré-eleições, para se arriscar em uma missão espalhafatosa enquanto faz promoções pelas metades. 

Ela destaca que a Medida Provisória (MP) que cria e regulamenta o programa desconsidera uma série de fatores primordiais para a implantação de uma transferência de renda no âmbito nacional.

Para ela, seria preciso detalhar ainda mais critérios como o valor do benefício que muda a cada hora, o real público que terá direito ao Auxílio Brasil, bem como os requisitos que devem ser cumpridos para a sua concessão. 

“Me surpreendo até o Tribunal de Contas da União não ter feito nada. Me surpreendo que o presidente da Câmara, o deputado Arthur Lira, não tenha devolvido a Medida Provisória, porque é uma Medida Provisória ilegal e inconstitucional”. 

Nota-se que a ex-ministra é a favor da manutenção do Bolsa Família, diante da inconsistência do Auxílio Brasil. Ela ainda lembrou sobre o programa Bolsa-Escola.

Criado no ano de 2001 durante a gestão do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), foi posteriormente teve a denominação alterada para o atual Bolsa Família pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ficando conhecido internacionalmente. 

Tereza Campello sente falta de um estudo a caráter comparativo, capaz de atestar qual dos dois programas pode ser mais vantajoso para a população. Por hora, ela vê somente comparações amadoras que não levam a lugar nenhum, especialmente porque não há nenhum fato preciso para concretizar tais fundamentos.

No geral, o Auxílio Brasil deveria ser tratado como uma política de Estado e não de governo.

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Laura Alvarenga
Laura Alvarenga é graduada em Jornalismo pelo Centro Universitário do Triângulo em Uberlândia - MG. Iniciou a carreira na área de assessoria de comunicação, passou alguns anos trabalhando em pequenos jornais impressos locais e agora se empenha na carreira do jornalismo online através do portal FDR, onde pesquisa e produz conteúdo sobre economia, direitos sociais e finanças.