Fome e desemprego devem marcar fim do auxílio emergencial

Pontos-chave
  • Planos de retomada econômica brasileira não inclui população de baixa renda;
  • Fome e desemprego deverão crescer em até 30% somente no mês de janeiro;
  • Governo ainda não informou medidas sociais a ser implantadas em 2021.

Projeção para a economia em 2021 parece não favorecer população de baixa renda. Apesar do governo federal afirmar que está trabalhando para que haja uma rápida recuperação no PIB nacional, pesquisas mostram que o mês de janeiro será de fome e desemprego para parte significativa da população. A previsão é que com o fim do auxílio emergencial, os índices de miséria tenham alta.

Fome e desemprego devem marcar fim do auxílio emergencial e retomada do PIB
Fome e desemprego devem marcar fim do auxílio emergencial e retomada do PIB (Imagem: Reprodução/Google)

Um dos principais efeitos do covid-19, além da crise sanitária que vem matando milhares de pessoas, tem sido o declínio da economia. Trabalhadores passaram a entrar na lista do desemprego e a fome vem se tornando uma realidade cada vez mais presente na vida dos cidadãos de baixa renda.

Diante das tais dificuldades, uma das alternativas encontradas pela gestão pública federal foi a criação do auxílio emergencial. Por meio do benefício mais de um milhão de brasileiros passaram a ser contemplados com mensalidades que variaram entre R$ 300 e até R$ 1.200 para ajudar a sanar as contas.

Porém, segundo as projeções da equipe econômica a liberação do auxílio será encerrada em meados do mês de janeiro. Dessa forma, o que se espera é que ao menos 15% desse grupo de contemplados fique em situação de extrema pobreza.

Fome em evidência

De acordo com levantamentos feitos pelo pesquisador do Ibre-FGV (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas), a taxa da pobreza extrema deverá ser acrescentada entre 10 e 15% durante o mês de janeiro. Isso significa dizer que ao menos 13 milhões de pessoas deverão sobreviver com US$ 1,90 por dia.

Há ainda um outro indicativo onde aproximadamente 51 milhões de brasileiros deverão sobreviver em situação de pobreza com US$ 5,50 por dia. O crescimento será de quase 30% se comparado com o ano passado.

“A taxa de pobreza extrema será muito alta devido a dois fatores: a população mais pobre depende basicamente de programas sociais e do mercado de trabalho, que foi muito impactado negativamente para ocupações de menor escolaridade e rendimento”, diz Duque.

Fome e desemprego devem marcar fim do auxílio emergencial e retomada do PIB (Imagem: Google)
Fome e desemprego devem marcar fim do auxílio emergencial e retomada do PIB (Imagem: Google)

Desemprego gera paralisação econômica

Outro ponto também em destaque são os efeitos do desemprego. Com o mercado de trabalho totalmente afetado pela pandemia, espera-se que parte significativa dos trabalhadores permaneçam sem assistência ao longo do primeiro semestre de 2021. O que significa que haverá um aumento na procura por vagas quando os setores vivenciam um processo de retomada.

“Um dos impactos bastante previsíveis é que muitas pessoas que tinham deixado de procurar emprego devido à pandemia vão acabar voltando. Com isso, a taxa de desemprego vai aumentar, porque nem todo mundo vai encontrar emprego.”

O economista explica ainda que normalmente o início do ano é sempre mais difícil para contratações, o que deve agravar ainda mais o cenário. “A taxa de desemprego no primeiro trimestre geralmente é a mais alta do ano, o que vai se somar a esses fatores negativos”, diz.

Sobreviver virou uma luta

Com tantas dificuldades para ingressar no mercado ou até mesmo colocar comida em casa, psicólogos e demais especialistas sociais afirmam que sobreviver para muitos tem sido uma luta.

Letícia Bartholo, especialista em programas de transferência de renda, explica que a assistência do poder público deve ser vista como algo essencial para garantir condições mínimas para essa parte da população. Ela defende a extensão do auxílio emergencial como uma obrigatoriedade no cronograma político.

Idealmente, haveria um processo de saída paulatina do auxílio — ou seja, com redução desses R$ 300 ao longo dos meses, até pra avaliar em qual tempo será a retomada econômica — e essas pessoas, conforme a renda, seriam incorporadas ao Bolsa Família ou a alguma iniciativa de transferência de renda não contributiva. O cenário para janeiro de 2021 para as pessoas mais vulneráveis é um buraco. Eu sinto muito que assim seja, mas infelizmente o Estado brasileiro não foi capaz de coordenar alguma solução”, defendeu ela.

É válido ressaltar que até esse momento não se sabe o futuro do Bolsa Família. Segundo fontes administrativas, o presidente Jair Bolsonaro e sua equipe só deverão anunciar novidades em janeiro.

Caso o programa seja cancelado, todos os números citados tendem a dobrar, uma vez em que o projeto atende mais de 14 milhões de famílias pobres.

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Eduarda Andrade
Maria Eduarda Andrade é mestranda em ciências da linguagem na Universidade Católica de Pernambuco, formada em Jornalismo pela mesma instituição. Enquanto pesquisadora, atua na área de políticas públicas, economia criativa e linguística, com foco na Análise Crítica do Discurso. No mercado de trabalho, passou por veículo impresso, sendo repórter do Diario de Pernambuco, além de assessorar marcas nacionais como Devassa, Heineken, Algar Telecom e o Grupo Pão de Açúcar. Atualmente, dedica-se à redação do portal FDR, onde já acumula anos de experiência e pesquisas sobre economia popular e direitos sociais.