Como o resultado das eleições dos EUA pode afetar a economia brasileira?

Após um processo eleitoral conturbado, a vitória do democrata Joe Biden parece ter sido bem recebida pelo mercado brasileiro e mundial. Você sabe como o resultado das eleições dos EUA pode afetar a nossa economia? Confira os detalhes a seguir.

Como o resultado das eleições dos EUA pode afetar a economia brasileira?
Como o resultado das eleições dos EUA pode afetar a economia brasileira? (Imagem: Google)
publicidade

Acordos Comerciais Brasil x EUA

Há alguns anos que a relação comercial entre as duas nações parece estacionada.Os norte-americanos deixaram de ser os principais compradores de vários produtos brasileiros nos últimos anos.

Perdendo espaço principalmente para a China que hoje é o maior parceiro comercial do Brasil.

As barreiras tarifárias são o principal gargalo no comércio entre os países. O açúcar brasileiro, por exemplo, é taxado em 140% o que impossibilita a exportação para as empresas norte-americanas.

Meta de pleno emprego? Conheça proposta de autonomia do Banco Central aprovada no Senado

Porém, desde o início do governo Jair Bolsonaro, o Brasil tem buscado uma aproximação entre as economias.

Com negociações para um acordo de livre-comércio (quando empresas do dois países podem comprar e vender livremente) e um endosso para a entrada brasileira no OCDE (grupo de 37 países).

Mesmo assim, a política econômica de Trump sempre teve um viés mais protecionista. Isto significa taxar mais os produtos de outros países para que as empresas internas se desenvolvessem.

Seu lado protecionista que levou a uma guerra comercial contra a China nos últimos anos. A “trade war” como ficou conhecida acaba atingindo indiretamente nossa economia que é muito ligada à chinesa.

Neste ponto, o governo Biden pode ter uma relação melhor com a potência asiática. Com mais produtos chineses entrando no mercado americano, mais insumos brasileiros vendidos e consequentemente mais renda para o Brasil.

Pressão dos democratas pela preservação da Amazônia

Além da relação comercial, a vitória de Biden pode vir acompanhada de maiores pressões contra as mudanças climática.

O democrata até afirmou em debate que aplicaria sanções econômicas caso o Brasil não conseguisse frear a devastação da Amazônia brasileira.

Além das punições, Biden também citou a criação de um fundo global de US$ 20 bilhões (quase R$ 110 bilhões na cotação atual) para que o Brasil preservasse a floresta tropical.

Embora a possibilidade de sanções seja péssima para a economia, o discurso do presidente dos EUA mostra a preocupação com o tema.

Sendo assim, os esforço pela preservação seria não só vantajoso para o Brasil, como também parte de negociações com o governo americano.

Mesmo com as diferenças entre Trump e Biden, qualquer medida que interfira nas barreiras tarifárias nos EUA deve passar pelo Senado.

Com a eleição de Biden e um senado majoritariamente republicano (partido do ex-presidente Trump) as expectativas são de que as negociações anteriores não sejam perdidas.

Qualquer resultado seria melhor que a indefinição

No mercado financeiro todos os agentes evitam a mesma coisa: riscos. Com a indefinição da eleição mais a possibilidade de uma judicialização do processo (quando a eleição é levada para os tribunais) haviam inúmeras possibilidades assustando os investidores.

Com a chegada dos resultados definitivos e uma expressiva vitória do candidato democrata, o cenário ficou mais favorável à todas as economias.

Especialistas também citaram a junção de um presidente democrata e um senado republicano, o que deve trazer ainda mais estabilidade política nos próximos anos.

Com um governo moderado, os países emergentes tendem a ser favorecidos. Pois com a redução de leis protecionistas, os produtos poderão voltar a circular.

A mudança de governo também poderá trazer uma mudança na política fiscal, os gastos públicos. Com menos investimento público na economia americana, as empresas estrangeiras também ganham mais fôlego.

Eleições dos EUA podem incentivar a economia verde no Brasil

Independente do futuro da economia americana, o Brasil precisa encontrar o caminho de volta ao seu próprio desenvolvimento.

Após um ano difícil e sinais de uma possível retomada da economia, temos a chance de colocar a nossa economia em um caminho melhor e mais eficiente.

Não devemos esperar pela mobilização dos outros países em preservar uma floresta que é brasileira.

Pensar em uma economia verde é buscar maneiras de incorporar a preservação ambiental ao desenvolvimento econômico.

Áreas como o turismo, pesquisa científica e extrativismo podem se beneficiar economicamente da biodiversidade brasileira.

Infelizmente, nossa economia favorece as grande plantações de monocultura, mas esse tipo de exploração é limitada. Criar políticas de aproveitamento ambiental pode criar novos negócios que se beneficiem da preservação da biodiversidade e não do desmatamento.

Embora a eleição americana tenha inúmeros desdobramentos econômicos, a preocupação ambiental é o que impacta o maior número de brasileiros e também deveria ser o foco das eleições brasileiras no futuro.

Sandro MessaSandro Messa
Sandro Messa possui bacharelado em Ciências e Humanidades e Ciências Econômicas pela Universidade Federal do ABC (UFABC). No mercado de trabalho, tem passagem pelo Banco Mercantil do Brasil, como gerente de relacionamento. Atuou também como assessor de investimentos no Itaú Personnalité e na XP Investimentos. Atualmente, trabalha como Consultor Financeiro e dedica-se à redação do portal FDR.