Vacina da COVID-19: As consequências do impasse político e econômico por trás do antivírus

No último dia 21, o presidente Bolsonaro cancelou a intenção de compra do Ministério da Saúde e afirmou que o Brasil não comprará a CoronaVac que utiliza matéria-prima chinesa. A vacina da COVID-19 em questão, está sendo testada pelo Instituto Butantan no estado de São Paulo em parceria com é a chinesa Sinovac.

Vacina da COVID-19: As consequências do impasse político e econômico por trás do antivírus
Vacina da COVID-19: As consequências do impasse político e econômico por trás do antivírus. (Imagem: Google)
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O episódio despertou a desconfiança contra um medicamento importado. Entenda a discussão em torno das diferentes iniciativas para desenvolver o medicamento.

Entenda o impasse da Vacina da Covid-19

Nesta semana vimos o debate político e ideológico mais uma vez interferir na tomada de decisões sanitárias. Entenda o impasse da vacina.

O Brasil foi escolhido por vários laboratórios interessados em desenvolver vacinas para o novo coronavírus. Por ser um país de dimensões continentais e contar com um sistema de imunização massivo.

Além da chinesa Sinovac, as vacinas de: Oxford, Pfizer e da Johnson & Johnson realizaram e ainda realizam testes em território brasileiro.

É importante lembrar que na fase de testes, os laboratórios buscam ambientes que possam testar a efetividade da vacina e analisar os resultados. Nesse sentido o Brasil pode ser considerado um lugar ideal para a pesquisa e desenvolvimento.

As vacinas contra a hepatite B e contra a meningite (Haemophilus influenzae) foram desenvolvidas, respectivamente, no Instituto Butantã e em Bio-Manguinhos, unidade técnico-científica da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

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Como podemos garantir a segurança de uma vacina estrangeira?

No Brasil, é a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) que aprova, ou não, a distribuição de cada vacina.

Para isso, o órgão exige a comprovação da qualidade, segurança e eficácia de um novo medicamento. Tudo isso feito de maneira técnica, baseada em critérios médicos e sanitários.

No entanto, no dia 22 de outubro o Instituto Butantan alegou demora no procedimento para liberar a importação da matéria-prima. O Diretor da autarquia declarou:

“O procedimento habitual da Anvisa, diante de pedido de excepcionalidade, é liberação em dez dias. Entramos com documentação na Anvisa em 23 de setembro. Estamos completando um mês. Foram feitos questionamentos técnicos, respondemos, e agora, diante da urgência, solicitamos pedidos para que seja liberada”.

A ANVISA por sua vez veio a público justificando a demora devido a uma transição da diretoria colegiada. Um dia após as declarações, a agência liberou a importação de 6 milhões de doses da vacina em caráter excepcional.

A chegada de uma vacina será o fim da pandemia?

Diante de toda a discussão, é necessário lembrar que uma vacina pode não ser o fim definitivo da crise do coronavírus.

A importância de financiar mais de uma alternativa pode ser vista no caso da extinta Poliomielite. Uma doença infecciosa viral que deixou milhares de pessoas, em especial crianças, no século.

No caso da pólio, mesmo com duas vacinas via injeção desenvolvidas, foi a vacina de Albert Sabin, administrada via oral, que melhor se adequou à realidade dos países na época. Sendo mais fácil de se administrar e mais barata, foi esta versão que efetivamente garantiu a erradicação da doença.

Se podemos aprender algo com isso é que não é inteligente usar os recursos públicos em apenas uma alternativa de vacinação.

A chegada de uma vacina pode ser vital para a retomada de atividades como as aulas escolares. Além de garantir mais segurança para a população voltar a circular normalmente.

Otimismos a parte, mesmo com a chegada de novos medicamentos levará tempo até que uma parte grande o bastante da população seja imunizada.

Teremos desafios financeiros, logísticos e até culturais para distribuir todas as possíveis versões da vacina. Acima disso tudo, vamos precisar de uma melhor coalizão entre os poderes políticos.

O próximo ano será crucial para recuperar o que perdemos na educação, vagas de emprego e saúde. Isso mesmo com a vacina da covid-19.

Mais importante do que comprar ou desenvolver vacinas é ter um plano conjunto de reabertura e retomada do crescimento no Brasil.

Para isso tudo acontecer de maneira correta e responsável, vamos precisar de um poder público que saiba dialogar. Conversar com a população e com todas as instituições que fazem parte de uma democracia.

Não faz sentido pensar na eleições de 2022 sem preservar um país que sobreviva até lá. Além de toda a rivalidade política, se trata de políticos eleitos e que deverão prestar contas de suas decisões e comportamento.

Sandro MessaSandro Messa
Sandro Messa possui bacharelado em Ciências e Humanidades e Ciências Econômicas pela Universidade Federal do ABC (UFABC). No mercado de trabalho, tem passagem pelo Banco Mercantil do Brasil, como gerente de relacionamento. Atuou também como assessor de investimentos no Itaú Personnalité e na XP Investimentos. Atualmente, trabalha como Consultor Financeiro e dedica-se à redação do portal FDR.