Black Friday: Empresas discutem troca do termo em movimento antirracista

Com suspeita de origem racista, empresas discutem a troca da expressão Black Friday. A discussão iniciou após a empresa O Boticário anunciar que não usaria a expressão neste ano, devido o termo ter uma expressão racista. Entenda a polêmica.

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Black Friday: Empresas discutem troca do termo em movimento anti racista
Black Friday: Empresas discutem troca do termo em movimento antirracista (Imagem: Gustavo Simão)
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A Black Friday é o período do ano mais aguardado pelos consumidores, já que as empresas oferecem descontos, com o intuito de queimar o estoque. Geralmente acontece na última sexta-feira de novembro.

Mas neste ano, a discussão não só envolve os descontos oferecidos, ou as fraudes nos preços que costumam acontecer, mas também se o termo usado para definir a época de liquidação é racista e deve ser mudada.

Tudo começou quando a empresa de perfumaria O Boticário anunciou que não iria usar a expressão em 2020, por causa de uma possível origem racista do termo. Com isso, outras empresas, como a Adidas começaram a discutir sobre o tema.

Até agora não foi definido um consenso se a mudança e preocupação fazem sentido, porém, ainda está sendo analisada a origem do termo e seu significado nos tempos atuais, para que assim possa ser tomada a melhor decisão possível.

Origem da expressão Black Friday

Segundo o professor de sociologia consumo da Escola Superior de Propaganda e Marketing, Fabio Mariano Borges, não há registros que confirmem a origem do termo Black Friday, porém há duas explicações que parecem ser as mais aceitas e difundidas.

A primeira origem diz respeito ao período escravagista do século XVIII, quando os negros eram trazidos da África para à América, eram vendidos e comprados como mercadorias. Porém, eram submetidos a uma rotina de trabalho de 18 horas diárias.

Além disso, não era oferecida comida decente e nem condições dignas para o descanso, com isso, os poucos que sobreviviam eram comercializados com preços abaixo do comercializado, por estarem doentes ou fracos demais.

Dessa maneira, os senhores donos de escravos reaviam parte do valor investido. Essa venda acontecia às sextas-feiras, e pode ter sido desse fato cruel da história a origem do nome do evento de liquidação do comércio.

A outra versão refere-se a um evento de descontos que acontecia após o feriado do Dia de Ação de Graças nos Estados Unidos, no qual os comerciantes tinham a intenção de esvaziar os estoques e se prepararem para o Natal.

Como aconteciam muitos furtos, os policiais precisam trabalhar o dobro e com a segregação racial, os patrulheiros nomearam a data como uma “sexta-feira negra”, já que a violência era associada à cor da pele de negros.

Glaucia AlvesGlaucia Alves
Gláucia Alves, formada em Letras-Inglês pela Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE). Foi professora por 7 anos. Esse ano começou a trabalhar como redatora e como corretora de redação. Atualmente, trabalha na equipe do portal FDR e realiza consultoria de redação on-line.